VOLTAR

Ibama aprova Diretoria de Populações Tradicionais

Página 20-Rio Branco-AC
Autor: Romerito Aquino
29 de Jan de 2004

O secretário-geral do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Adilson Vieira, informou ontem que o Conselho de Administração do Ibama aprovou a proposta de criação de uma nova diretoria do órgão que vai se encarregar exclusivamente das questões das populações tradicionais da Amazônia. Com isso, a nova diretoria substituiria o atual Centro Nacional de Populações Tradicionais (CNPT), que hoje é vinculado ao Ibama, mas não têm autonomia financeira e administrativa para atender aos pleitos dos seringueiros, índios, ribeirinhos e outros trabalhadores extrativistas da região amazônica.

Com a aprovação no Conselho de Administração do Ibama, a criação da Diretoria de Populações tradicionais depende agora de decisão do ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do próprio presidente Lula, que mantém com as populações tradicionais da floresta acreana, por exemplo, um vínculo de luta que data do início da década de 80, quando o agora presidente esteve no Acre pela primeira vez para apoiar os trabalhadores rurais do Estado. A criação de uma diretoria de Populações Tradicionais no Ibama atende a uma reivindicação das organizações não-governamentais representantes dos índios, seringueiros, ribeirinhos e outros trabalhadores extrativistas da Amazônia. Nos últimos dias, essas entidades estiveram com o senador Sibá Machado (PT-AC), com o deputado federal Zico Bronzeado (PT-AC) e outros parlamentares da bancada amazônica pedindo o apoio político para convencer o presidente do Ibama, Marcos Barros, e a ministra Marina Silva, da importância do órgão para o desenvolvimento sustentável dos povos da floresta.

Na semana passada, os deputados Zico Bronzeado e Zé Geraldo (PT-PA), acompanhados de representantes do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), do GTA, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Côco Babaçu e do deputado estadual Juarez Leitão (PT-AC), foram discutir o assunto com Marcos Barros. De lá, saíram com o compromisso de Barros de que a proposta das entidades seria colocada em votação no Conselho de Administração do Ibama, a quem cabe propor o decreto de criação ao presidente da República. As entidades querem que o CNPT, que foi uma conquista dos povos da floresta na década passada, se transforme agora num órgão federal com maior autonomia financeira e maior alcance administrativo nos estados da região para tocar os projetos e ações necessários ao fortalecimento da economia extrativista amazônica. "Queremos um órgão que tenha orçamento, tenha peso político, tenha capilaridade nos estados, tenha gente lá na ponta, tenha gente com poder de decisão sobre a gestão da reservas extrativistas e tenha crédito para planos de manejo florestal e outros projetos", disse o secretário-geral do GTA, entidade que congrega mais de 300 Ongs com atuação em toda a Amazônia.

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.