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Horto Florestal de Maringá está há 4 mil dias fechado

O diário - http://maringa.odiario.com
Autor: Murilo Gatti
04 de Out de 2014

A garrafa plástica do refrigerante que matou a sede dos amigos foi esquecida na beira da calçada de uma rua qualquer da Zona 5. Ficou jogada até a água da chuva arrastá-la para o bueiro. Na galeria pluvial, percorreu os canos até chegar ao caminho dos gabiões recém-construídos no interior do Horto Florestal de Maringá. Seguiu enxurrada abaixo pelo canal feito de pedras e telas de aço. Ao final, parou nas margens do córrego Borba Gato.

A cena descrita acima mostra que, apesar dos investimentos e das obras realizadas nos últimos meses na reserva, a conservação do ambiente depende também da conscientização dos moradores do entorno e de mais cuidados na manutenção deste importante patrimônio natural.

A reportagem de O Diário voltou ao horto esta semana com autorização do juízo da 2ª Vara da Fazenda Pública, onde corre o processo judicial que cobra a recuperação da área e onde é analisada a necessidade de indenização pelos danos causados pela falta de preservação e planejamento do local.

Os problemas da reserva e as belezas naturais são cenários restritos, já que o horto está fechado à visitação há 4 mil dias. O lago, que no passado atraiu inúmeros visitantes, voltou a refletir a imagem das árvores, em um belo espelho de água limpa - resultado da retirada dos alfaces d´água que cobriam a superfície e de consertos em pontos de vazamento da barragem. Até peixes têm voltado.

Outro detalhe que agrada os olhos e, principalmente, os ouvidos, é formado pelas rodas d´água. Em meio à mata atlântica, na sombra fresca da floresta, nada melhor do que curtir o som das águas. No entanto, para que todos possam aproveitar novamente este paraíso natural maringaense, há um longo caminho pela frente.

Proprietária do Horto Florestal, a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP) tem demonstrado interesse em resolver o imbróglio jurídico que trava a possibilidade de reabertura da reserva à população. A empresa concordou com a nomeação do perito judicial Walter Sidney Caobianco, e inclusive fez o pagamento de parte dos honorários pleiteados.

A CMNP também investiu no plantio de três mil mudas nativas em áreas degradadas pelas obras dos gabiões. São araças, alecrins, canafístulas, gurucaias e patas-de-vaca, entre outras. "Plantamos há apenas três meses. Acredito que em dois anos estas áreas de floresta vão estar praticamente recompostas", avalia o gerente de Negócios Imobiliários da CMNP, Maurício de Souza, que acompanhou a reportagem na reserva.

O posicionamento da companhia em relação ao destino do horto se mantém. Qualquer definição sobre doação ou reabertura da área só vai ser tomada após o fim do processo judicial. Mas para que a perícia seja realizada, ainda é necessário que a administração municipal concorde com os valores pleiteados pelo perito judicial e, assim como a empresa, faça o pagamento da primeira parcela do serviço.

"Precisamos analisar o valor apresentado para decidir se vamos fazer a contestação do valor ou acatar. O município já investiu R$ 3 milhões na obra dos gabiões", explica o procurador-geral Luiz Carlos Manzato. A construção dos canais acabou com o problema da erosão na reserva e tem impedido, por causa das telas de aço, que sacolas plásticas e restos de tecidos cheguem ao córrego Borba Gato.

Sobre o lixo que ainda insiste em chegar ao curso d´água, a prefeitura informou que vai discutir o assunto com a companhia. A administração municipal também informou que vai verificar as pedras que foram deixadas nas laterais dos gabiões e, se necessário, vai acionar a construtora para fazer a limpeza.

Nos últimos meses, a Sanepar fez obras no interior da reserva para evitar a ocorrência de novos vazamentos da rede de esgoto, como registrado no ano passado. Uma rede foi construída ao lado da antiga, e novos poços de visita, com diâmetro bem maior, foram instalados. Além disso, segundo a assessoria de imprensa da empresa, equipes de manutenção de redes têm feito um "acompanhamento intenso e manutenções preventivas no local".

Em relação ao controle da superpopulação de macacos, o projeto de castração de alguns machos deve ser implementado a partir de 2015. Por enquanto, a Secretaria de Meio Ambiente tem mantido a alimentação matinal dos primatas, para evitar aumento dos casos de animais que saem atrás de comida.

Por meio da campanha "Eu Quero o Horto Aberto" se mantém a cobrança por um estudo dos impactos de visitação e, principalmente, pela reabertura à visitação de forma sustentável, para que se permita a prática da educação ambiental e do lazer.

CAMPANHA "EU QUERO O HORTO ABERTO"

A petição eletrônica criada pelo jornal O Diário para a campanha pela reabertura do Horto Florestal à visitação sustentável contabilizava, até a tarde de ontem, 2.876 assinaturas. Muitos lembram de momentos agradáveis dentro da reserva; outros criticam o absurdo de um patrimônio tão importante permanecer fechado. Para participar, acesse www.odiario.com.

"Passei a minha juventude ali dentro. Não é justo que aquele local permaneça fechado. Precisamos abrir o mais rápido possível."
Antônio Andirlei Maruchi

"É um absurdo que um espaço desta importância para a cidade fique fechado a quase 4 mil dias. É só no Brasil mesmo que isso acontece."
Alexandro Braz Segala

"Há 30 anos, o horto era lindo e era aberto à visitação. Famílias inteiras passavam as tardes lá, faziam piquenique, brincavam, liam à sombra das árvores, faziam caminhadas pelo bosque. Ainda havia um viveiro de flores. Era muito bom este contato com a natureza, esta calmaria e paz que podíamos sentir neste lugar."
Paulina Santos

"Desde pequeno sempre visitei o horto. Gostaria que meus filhos tivessem a mesma oportunidade."
Vagner Rodrigues da Silva

"Boa iniciativa. O nosso horto, antes ponto turístico e lindo espaço de lazer das famílias, não pode ficar abandonado. Não se desperdiça uma área verde que a maiorias das cidades do Brasil não tem e deseja. O abaixo-assinado é uma das formas mais legítimas de expressão da vontade popular. Espero que o poder público ouça e, se não ouvir, esse manifesto prova que a população fez sua parte."
Maria Justina Fernandes

"Temos um patrimônio ecológico dentro de nossos quintais e não podemos usufruir! Isso é um absurdo!"
José Antônio Martins Sanches

http://maringa.odiario.com/maringa/noticia/1205705/horto-florestal-esta…

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