O Globo, O País, p. 12
Autor: GRAJEW, Oded
25 de Jan de 2009
Hoje, outro mundo é urgente
Corpo a Corpo
Oded Grajew
Um dos idealizadores do Fórum Social Mundial (FSM), o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, faz um balanço político dos nove anos do movimento, que se consagrou como o principal contraponto ao neoliberalismo e ao Fórum Econômico Mundial, de Davos (Suíça).
Em entrevista ao Globo, Grajew avalia que a maioria dos governantes eleitos na América Latina, como Lula, Evo Morales (Bolívia) e Fernando Lugo (Paraguai), são frutos da nova cultura política articulada pelo FSM.
Soraya Aggege
O Globo: Nove anos depois da criação do FSM, em plena crise global, outro mundo ainda é possível?
Oded Grajew: Quando começamos, o lema era esse. Hoje, outro mundo é também urgente. Há cientistas dizendo que, se não houver uma mudança radical em cinco anos, o processo poderá se tornar irreversível. Quando falamos de outro mundo possível, falamos de outras estruturas políticas, ambientais, econômicas, de governança global. O desastre financeiro que vemos é só um prenúncio do ambiental.
Como o senhor resume o processo desses nove anos?
Grajew: Era o neoliberalismo e o livre mercado quando começamos. Hoje é muito difícil você achar alguém que se diga neoliberal. O mapa político também era muito diferente. Acho que o Fórum ajudou a eleger o presidente Lula, a mudar vários governos na América Latina. Não vou dizer que o Fórum foi o responsável pela eleição do (Barack) Obama, mas percebemos que houve um movimento forte do Fórum. Nas edições do FSM, temos notado uma participação muito crescente da sociedade civil dos Estados Unidos. E a vitória do Obama passou pelos movimentos da sociedade civil dos EUA. Mas nem o Fórum nem a humanidade conseguiram equacionar o desenvolvimento sustentável.
O FSM ajudou a mudar a forma de as esquerdas clássicas fazerem política?
Grajew: Definir esquerda é difícil hoje, mas penso que o Fórum influenciou a sociedade civil, porque a esquerda não é só partido político. Como os partidos estão dominados pelo poder econômico, há uma descrença neles. O que há hoje é uma perda de credibilidade nos partidos e governantes e um aumento do papel da sociedade civil.
Obama seria bem recebido em um FSM?
Grajew: Quem sabe? O Fórum é um espaço aberto e os governantes vêm se quiserem. É preciso ver se, depois do discurso de campanha, ele implementará as propostas que foram discutidas nos FSMs, como o multilateralismo, a mudança das raízes energéticas, as questões de raça e gênero.
O Globo, 25/01/2009, O País, p. 12
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