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Hepatite Delta pode ter matado quatro índios em Porto Walter

A Gazeta-Rio Branco-AC
Autor: DULCINÉIA AZEVEDO
02 de jul de 2002

Pelo menos quatro crianças indígenas morreram apresentando os sintomas da Hepatite Delta este ano em Porto Walter, localizado no Extremo Oeste do Estado e apontado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) como o segundo município acreano mais distante da Capital. A informação é do presidente da Associação dos Portadores de Hepatite no Estado (Asphac), José Luiz Gomes Dantas, que investiga também a presença de outros casos semelhantes no município de Marechal Thaumaturgo, também localizado no Vale do Juruá.

Segundo José Luiz, que em decorrência do trabalho que exerce acabou se transformando em um especialista em hepatites, o agente da Hepatite Delta é um vírus defectivo, ou seja, necessita da presença do vírus B para sua replicação, sendo transmitido pelas mesmas vias do vírus B. O registro de casos da Hepatite Delta nesta região, significa que as vítimas já estavam infectadas pelo tipo B. "Nossa preocupação está justamente ai, em saber porque e como os índios estão se tornando portadores das hepatites B e Delta, em especial a Delta que geralmente infecta e mata famílias inteiras em um curto espaço de tempo", observa.

O Departamento de Vigilância Epidemiológica do Estado ainda não emitiu parecer sobre as mortes registradas em Porto Walter. Para confirmar a presença da doença entre a população indígena, estimada hoje em 13 mil habitantes, a Asphac pretende desenvolver o Projeto Curumim, através do qual será realizada uma ampla pesquisa com os índios.

"As características indicam que essas crianças indígenas podem ter morrido vítimas de Hepatite D, por isso o sindicato precisa fazer um estudo mais detalhado nesse sentido", observa José Luiz.

Para realização do Projeto Curumim, a Asphac pretende contar com o apoio das autoridades sanitárias envolvidas no assunto e de médicos que trabalham no tratamento das hepatites. As visitas as regiões que concentram aldeias indígenas devem ser iniciadas a partir do mês de julho. O resultado da pesquisa vai servir de base para que sejam traçadas as medidas de prevenção e tratamento da doença entre os indígenas em todo Estado.

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