O Globo, Razão Social, p. 11
Autor: CRESPO, Samyra
27 de Mar de 2012
Hábitos de consumo em pauta
Secretária de Articulação e Cidadania , do MMA, quer tornar obrigatórias ações do PPCS
Entrevista: Samyra Crespo
Martha Neiva Moreira
martha.moreira@oglobo.com.br
Lançado em novembro do ano passado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e com a proposta ousada de mudar os hábitos de consumo entre entidades públicas e privadas, o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentável (PPCS) não tem força de lei, mas já conseguiu 400 adesões de entidades da sociedade civil e 67 de órgãos governamentais. É pouco para Samyra Crespo, Secretária da Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA, que está à frente do programa.
Por isso, ela prepara dois decretos para tornar obrigatórias algumas ações previstas no plano, como conta nesta entrevista. Ela pretende aprová-los até o meio do ano e, otimista, está apostando na articulação com os ministérios, autarquias e investindo em pactos setoriais com diferentes cadeias produtivas.
O GLOBO: O que os decretos vão estabelecer?
SAMYRA CRESPO: Um deles prevê um percentual de produtos sustentáveis na lista das compras públicas. O outro vai instaurar uma agenda ambiental nos órgãos governamentais, ou seja, tornar obrigatório a redução do consumo de papel e água, a eficiência energética, a coleta seletiva, e construções sustentáveis.
O GLOBO:O percentual já está estabelecido?
SAMYRA CRESPO: Ainda estamos estudando o que é viável. Até porque se resolvêssemos estabelecer que 100% dos produtos comprados teriam que ser sustentáveis, não haveria produtos no mercado.
O GLOBO: Quais são as áreas de ação do PPCS?
SAMYRA CRESPO: Educação para o consumo sustentável; Compras públicas sustentáveis; Agenda Ambiental na Administração Pública; Aumento da reciclagem de resíduos sólidos; Varejo sustentável; e Construções sustentáveis.
O GLOBO: Por que a senhora diz que o Plano é modesto?
SAMYRA CRESPO: Porque ele ainda não tem a envergadura que pode ter no futuro, ou seja, ainda não está articulado com todos os planos do governo, como Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), Brasil Maior, Fome Zero, entre outros.
O GLOBO: Qual a meta do PPCS?
SAMYRA CRESPO: Elevar de 5 para 10% o percentual de consumidores considerados conscientes até 2014, baseados em dados de 2010 de uma pesquisa do Instituto Akatu.
O GLOBO: Como será possível alcançá-la?
SAMYRA CRESPO: Estamos investindo em acordos setoriais e apostando na aprovação dos decretos.
O GLOBO:Com quais cadeias produtivas a Secretaria já articulou os pactos setoriais?
SAMYRA CRESPO: São muitas, entre elas pilhas e baterias, lâmpadas e mercuriais, óleos lubrificantes e de cozinha, entulho da construção civil, embalagens plásticas.
O GLOBO:O que os pactos irão prever?
SAMYRA CRESPO: Há desde campanhas de conscientização de descarte correto, até ações de logística reversa. Também estão previstas novas regras para etiquetagem de embalagens, que deverão trazer informação sobre o local correto para descarte do produto.
O GLOBO: Educação para o consumo está diretamente ligado ao trabalho publicitário. Como esses profissionais serão sensibilizados?
SAMYRA CRESPO: Os publicitários já estão sendo chamados pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) para tratar do greenwashing. Nós queremos esperar um pouco mais para avaliar o quanto as empresas assumem algumas responsabilidades previstas no Plano como, por exemplo, a logística reversa, para conversar com eles.
O GLOBO: Qual a expectativa em relação à Rio+ 20?
SAMYRA CRESPO: O Brasil saiu na frente incluindo o tema do consumo sustentável como um dos assuntos a serem debatidos durante a conferência. Não é possível pensar em um outro paradigma de desenvolvimento sem discutir produção e consumo. Além disso, uma série de estudos e projetos, o PPCS é um deles, serão apresentados durante o evento. Por tudo isso, o Plano sairá fortalecido.
O Globo, 27/03/2012, Razão Social, p. 11
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