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Há esperança

Brasil Norte-Boa Vista-RR
23 de Jan de 2004

Márcio Thomaz será informado da decisão do GTI em Roraima

O Grupo de Trabalho Interministerial criado para tornar viável a demarcação da reserva Raposa Serra do chega a Roraima para uma visita de dois dias e várias reuniões com todos os seguimentos envolvidos na polêmica e controvertida questão.
E dependendo do que for verificado, o governo pode voltar atrás em alguns pontos na decisão de homologar a reserva em faixa contínua. O ministro Márcio Thomaz Bastos, causado de todo esse furdunço não vem, mas será informado de tudo o que for visto aqui.
Estão previstos encontros com representantes do governo estadual, dos índios a favor e contra a homologação, da Igreja Católica, dos evangélicos, do Ministério Público Federal e da Ordem dos Advogados do Brasil.
Para os produtores, o governo precisa definir outras questões fundamentais para o Estado, em especial a fundiária, e se ater apenas à da reserva. grupo interministerial, de fato, quer ampliar as discussões em torno da homologação da reserva, mas também tratar do problema fundiário - 90% de todo o Estado é de terras da União.
Coordenado pela Casa Civil, o grupo deveria apresentar um relatório com suas conclusões até dia 30, mas o prazo deve ser prorrogado por pelo menos mais um mês, porque a questão é considerada "muito complexa" pelo governo.
Bastos comentou relatórios militares que advertem que a demarcação em terras contínuas da Raposa Serra do Sol, incluindo áreas da fronteira, ameaça a segurança nacional. Ontem, deputados e senadores roraimenses comentaram que o Palácio Planalto indicou que ainda há possibilidade de voltar atrás: "Tudo é objeto de discussão e negociação", disse o deputado Luciano Castro.

Teatrinho
Desacreditado o pessoal do GTI não deve encontrar boa receptividade em Roraima, apesar da importância do grupo.
Ontem de manhã os deputados estaduais localizados na cidade não demonstravam o menor interesse na viagem dos engravatados de Brasília.
Acham que será mais uma cena daquelas velhas peças de teatro montadas sobre o tema.

Resolver logo
O ministro Thomaz Bastos comentou ontem em Brasília que a intenção do governo é resolver logo e definitivamente a questão indígena em Roraima.
Por isso, a força-tarefa vai conversar com representantes dos cartórios, agricultores, índios e funcionários do Incra e da Funai para saber que terras têm registro e ter um quadro da situação real no Estado.
"Nós queremos uma saída que atenda o interesse do Estado", disse o ministro.

Conflitos ampliados
Outra questão que preocupa o Planalto é a ampliação dos conflitos indígenas em Roraima no caso de homologação contínua de Raposa.
Ao contrário de Mato Grosso, Bahia e Alagoas, onde índios querem ocupar terras do governo, aqui acontece o contrário.
São demandas antigas mas que nenhum presidente foi capaz ainda de resolvê-las.

Alheio
A USP e a UNICAMP, duas das principais universidades brasileiras, sustentam que a eventual demarcação em terras contínuas da área de Raposa vai pôr a segurança das fronteiras brasileiras em risco.
Segundo os pesquisadores Braz de Araújo e Geraldo Lesbat Cavagnari não existe outro país que permita que alguém ou um grupo tenha soberania na faixa de fronteira.
"O Brasil vem fazendo demarcação de terras indígenas visão estratégica clara, apenas atendendo a demandas demagógicas", critica Bras de Araujo, cientista político da USP.

Segurança
Os dois pesquisadores asseguram que os únicos avanços de segurança para a região foram a presença militar e a criação do Sivam.
"O resto está uma bagunça, explodindo", diz Geraldo Lesbat.
Ele chega a comparar a questão indígena com o Movimento dos Se m - Terra (MST).

Indesejáveis
Duas comissões na Câmara e no Senado foram instituídas para acompanhar a questão indígena roraimense.
Danado é que quando essa gente vem aqui, explodem conflitos ideológicos no Planalto Central e no resto do país.
Os escolhidos são sempre reacionários da questão. Portanto é bom que se tenha bastante cuidado na hora da designação dos de seus integrantes.

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