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Guia destaca madeiras alternativas

OESP, Classificados-Construcao, p.Cc6
27 de Jun de 2004

Guia destaca madeiras alternativas
Manual lançado no início do mês lista as várias espécies disponíveis no mercado por grupos para racionalizar uso do produto
RODRIGO PEREIRA
O uso da madeira no Brasil é marcado pelo conservadorismo e pela falta de informação, mesmo entre os especialistas, o que faz com que o mercado procure sempre pelas mesmas espécies, em geral ameaçadas. O alerta parte de Geraldo Zenid, pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Ele coordenou a produção de um manual sobre o uso da madeira na construção civil, lançado no início do mês (leia quadro)
O guia usa espécies tradicionais como parâmetro e a partir de certas características físicas e de uso classifica as madeiras disponíveis por grupos Com isso o usuário pode escolher madeira que vai precisar dentre as várias disponíveis no mercado, por baixos preços, sem graves agressões à natureza e com desempenho previamente estimado.
Zenid explica que o mercado se acostumou com madeiras do sul e do sudeste, em especial o Pinheiro-do-Paraná e a Peroba-rosa. Com a escassez, passou-se a usar matéria-prima da Amazônia. Lá a variedade é muito grande e a desinformação compartilha dessa grandeza. Zenid diz que na hora de vender, o madeireiro utiliza como parâmetros aspectos aparentes da madeira, e não os físicos, como resistência, esforço suportado e densidade. Isso faz com que a utilização seja ruim e errada, causando transtornos e reafirmando o preconceito contra certas espécies. Por outro lado, consolida o uso de madeiras nobres, na maioria das vezes de origem ilegal, com sérios danos ambientais.
Pedro Almeida, professor da USP, atenta para os riscos da exploração desordenada das florestas. "O Brasil tem o maior potencial de madeira nativa tropical do mundo. Na Ásia já acabou e na África estão piores que nós". Para ele a madeira é um material muito competitivo, mas "não sabemos o que fazer com ela. Não dominamos a tecnologia, desde a exploração ao processamento".
Com o guia, Zenid espera que o mercado utilize mais racionalmente a madeira. E que com o tempo tenha maior conhecimento e amplie as variedades disponíveis para a construção civil, com preços mais baixos e uso sustentável do material.
Outra frente apontada por Zenid é da madeira tratada. Conforme o uso desejado ou adaptando-se o projeto, é possível o emprego de madeiras de reflorestamento, reconhecidamente de menor densidade e resistência. Com tratamento químico sob pr e sob o devido controle de qualidade, é possível adequar essas madeiras para o uso em obras. Como esse uso é "fora do habitual", é necessário o suporte de um engenheiro responsável, que afira e garanta o desempenho do produto na obra.

DICAS PARA O USO SAUDÁVEL
1 - Tente criar um projeto que se classificação dessas madeiras ajuste aos cortes e madeiras por grupos de uso. Especifique disponíveis no mercado o uso que fará e escolha
2 - Compre madeiras de origem comprovada. A madeira deve ter certificação legal ou manejo aprovado pelo Ibama. Verifique a nota fiscal e documentos de transporte
3 - Procure conhecer a madeira que está comprando. As espécies da Amazônia são muitas, e a semelhança física pode causar transtornos. Há a classificação dessas madeiras por grupos de uso. Especifique o uso que fará e escolha criteriosamente o grupo que se encaixa em seu projeto
4 - Evite o uso de espécies tradicionais e nobres, principalmente o pinho-do-paraná e peroba rosa, provenientes do sul e sudeste do país e já ameaçados. Madeiras alternativas podem ter o mesmo desempenho dessas tradicionais; são abundantes no mercado; têm menor procuro um preço bem mais acessível
5 - Madeiras tratadas e bem acondicionadas nas serrarias garantem um desempenho bem maior que as tratadas diretamente na obra

Fonte: "Madeira: Uso Sustentável na Construção Civil", publicação do instituto de Pesquisas Tecnológicas Disponível no site: www.ipt br/areas/dpf/pbm/manual

OESP, 27/06/2004, p. Cc 6

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