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Grupo retoma buscas por avião que desapareceu com índios na Amazônia há 4 meses

G1 https://g1.globo.com
Autor: Salgado Neto, Rogério Lameira, Ângelo Fernandes e Fabiana Figueiredo
05 de abr de 2019

O desaparecimento de um avião de pequeno porte, com um piloto e sete índios, durante voo na Amazônia, completou quatro meses na terça-feira (2). Com familiares e amigos inconformados e com esperança de encontrá-los vivos, um grupo de índios retomou as buscas por conta própria.

A aeronave sumiu dos radares quando transportava os indígenas Tiriyó da aldeia Mataware, no Parque do Tumucumaque, para o município de Laranjal do Jari, no Sul do Amapá, na tarde do dia 2 de dezembro de 2018.

O grupo é formado por nove pessoas, que decidiram retomar as buscas por conta própria. Mas agora, a estratégia é acompanhar o curso dos rios da região. Eles acreditam que o piloto pode ter pousado o avião em um dos rios ou próximo a eles.

"Não queremos parar essas buscas porque queremos encontrar pelo menos pedaços do avião, mas nesse momento ainda não temos notícias para encontrarmos eles", disse Edward Tiriyó, primo de um dos índios desaparecidos.

A Força Aérea Brasileira (FAB) chegou a realizar buscas aéreas durante 14 dias, em dezembro, mas suspendeu o trabalho após 123 horas de voos, percorrendo uma área equivalente a mais de 9 mil campos de futebol.

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O Exército Brasileiro também encerrou a procura, argumentando não ter suporte de aeronaves para cobrir uma área tão extensa. A região é de difícil acesso e o transporte aéreo é a única forma de se chegar às aldeias.

A Articulação dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) chegou a pedir à Fundação Nacional do Índio (Funai) ajuda para a continuidade das buscas.

Em ofício enviado em janeiro à Funai, as Forças Armadas reiteraram o esforço feito, mas informaram que não será feito nenhum novo voo para procurar o avião, porque foram "esgotadas as possibilidades de localizar a aeronave".

Também não é a primeira vez que um grupo voluntário tenta encontrar indícios de onde a aeronave está. Logo após a suspensão das buscas, ainda em dezembro, indígenas e garimpeiros decidiram procurar por conta própria na mata, mas sem sucesso.

Um novo grupo ingressou na floresta no início de janeiro, mas também não obteve nenhuma pista sobre a aeronave, de prefixo PT-RDZ. Sem respostas, representantes indígenas de povos do Amapá e Pará haviam pedido, em fevereiro, apoio do Ministério Público Federal (MPF) para a retomada das buscas.

A bordo estava uma família de índios Tiriyó: professor, esposa e três filhos, uma aposentada e o genro dela; além do piloto. Eles viajavam para Macapá para resolver assuntos bancários e também ir à sede do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As filhas do piloto, Jeziel Barbosa de Moura, que tem mais de 30 anos de experiência, também mantém a esperança de encontrar o pai.

"O que mais queremos é que meu pai volte com vida, do jeito que ele vier. A gente vai receber ele, vai cuidar dele e vai dar muito amor pra ele. Vai ser uma felicidade enorme", comentou Flávia Moura, filha do piloto.

Esperança também compartilhada pelos familiares dos indígenas: "A esperança é muito grande pra nós. Perder família é muito pesado", lamentou Tipan Tiriyó, padrasto de um dos desaparecidos.

Desaparecimento
A viagem, que partiu num domingo (2 de dezembro), fez a última comunicação às 12h06, 25 minutos após a decolagem. O piloto avisava a um outro piloto da empresa de aviação que precisaria fazer um pouso de emergência.

Segundo Kutanan Waiana, coordenador executivo da Apoianp, o voo foi contratado pelos indígenas para fazer o trajeto entre a aldeia e o Jari. Ele reforça que a contratação de pequenos aviões para transporte entre aldeias é comum na região, com viagens que custam entre R$ 3 mil e R$ 10 mil. Os índios fazem o voo das aldeias até Laranjal do Jari e de lá fazem uma viagem de carro de cerca de 4 horas até Macapá.

O monomotor era pilotado por Jeziel Barbosa de Moura, de 61 anos, que era experiente em sobrevoar a área.

No dia 4 de dezembro, a Funai caracterizou o voo como "clandestino". A falta de pistas autorizadas na região e a não comunicação da viagem, segundo a Funai, apontam a irregularidade. Flávia assegurou que o pai estava com as documentações regulares para pilotar.

https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2019/04/05/grupo-retoma-buscas-po…

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