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Grupo poe fogo na Amazonia para estudo

OESP, Geral, p.A13
16 de Ago de 2004

Grupo põe fogo na Amazônia para estudo
Pesquisadores querem avaliar queimadas em áreas de transição entre floresta e cerrado
Herton Escobar
Pesquisadores brasileiros e americanos vão tocar fogo na Amazônia a partir de hoje - literalmente, mas no bom sentido.
O experimento faz parte do Projeto Savanização, que vai estudar a dinâmica do fogo e os seus efeitos sobre a floresta em áreas de transição com o cerrado - a savana brasileira.
Os pesquisadores querem saber detalhes como a velocidade de propagação, a temperatura e a altura das chamas de uma queimada em diferentes situações. E a única maneira de estudar isso é provocando uma.
Os incêndios controlados serão realizados em uma área de 300 hectares na Fazenda Tanguro, do Grupo A Maggi, em Querência, Mato Grosso. O laboratório natural foi dividido em três blocos de 100 hectares: um para ser queimado anualmente, outro para ser queimado a cada três anos e o último para servir de controle.
A pesquisa, chefiada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), deve terminar só em 2010.
A expectativa dos cientistas é mimetizar o processo de savanização, que já ocorre na Amazônia e ameaça transformar grande parte da floresta em cerrado nas próximas décadas. "A savanização é um processo natural entre os dois biomas", explica a coordenadora de Pesquisa do Ipam, Cláudia Azevedo Ramos.
"Nossa preocupação é que isso está sendo acelerado pelo desmatamento e pela agricultura, na qual o fogo é muito utilizado e acaba escapando para dentro da floresta", completa.
A partir disso, inicia-se um processo em que incêndios sucessivos vão enfraquecendo a mata, tornando-a mais seca e alterando sua composição.
"O fogo faz parte da ecologia do cerrado, mas não da floresta", diz o pesquisador Carlos Nobre, do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). "Se o fogo prevalece numa área de transição, portanto, o ecossistema que vai ganhar a briga é o cerrado."
Modelos feitos por ele indicam que de 20% a 60% da Amazônia pode virar savana até o fim do século, levando em conta o desmatamento e o aquecimento global - sem contar o fogo.
Além do Ipam e do CPTEC, o projeto tem a participação de pesquisadores da Universidade de Brasília, da Universidade Federal de Mato Grosso, do Woods Hole Research Center, do US Forest Service e das Universidades de Yale e Stanford. O fato de a pesquisa ser realizada numa fazenda também permite estudar opções sustentáveis de convivência entre atividades econômicas e a preservação ambiental, afirma Cláudia.

OESP, 16/08/2004, p. A13

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