O Globo, Economia, p. 22
21 de Abr de 2010
Grupo perdedor recebe resultado com resignação
Derrota 'é parte do jogo', diz executivo. Consórcio era tido como favorito
Ronaldo D'Ercole
Integrantes do consórcio Belo Monte, derrotado no leilão de ontem, receberam o resultado com certa resignação.
A avaliação de executivos das empresas associadas no grupo liderado pela Andrade Gutierrez era que tinham buscado todas as soluções para a viabilidade do projeto. De acordo com o advogado Ricardo Assaf, do escritório Machado, Meyer, Sendacz e Opice Advogados, que assessorou uma empresa do consórcio, o lance com deságio de 6% logo de saída, dá a entender que os adversários esperavam uma postura mais agressiva do Belo Monte.
- Eles partiram de uma premissa mais agressiva em relação ao nosso consórcio - disse Assaf, que afirmou desconhecer o limite de deságio considerado pelo consórcio Belo Monte.
A derrota surpreendeu o mercado de energia. Belo Monte era dado como grande favorito na disputa, por estar desde o início do processo. Além disso, após a saída da Camargo Corrêa e da Odebrecht da disputa, o consórcio estava concorrendo com empresas consideradas inexperientes para levar adiante um projeto tão complexo quanto o da usina do Rio Xingu.
Além da construtora, integravam Belo Monte a Vale, o grupo Votorantim e a Neoenergia.
O consórcio chegou ao leilão de ontem ainda mais cotado, depois que rumores davam conta de que teria acertado com Camargo Corrêa e Odebrecht a equalização dos preços de construção da obra.
Ao fim do pregão, indagado por um empresário presente na sede da Agência Nacional de Energia (Aneel), um alto executivo da Votorantim restringiuse a dizer que a derrota "fazia parte da regra do jogo". Procuradas, nenhuma das empresas do consórcio derrotado quis se pronunciar.
O Globo, 21/04/2010, Economia, p. 22
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