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Grupo de paises quer retomar a caca as baleias

OESP, Geral, p.A15
18 de Ago de 2004

Grupo de países quer retomar a caça às baleias
Líderes são Japão, Noruega e Islândia; alegação é de que estoques já são suficientes para isso
Andrew C. Revkin
The New York Times
NOVA YORK - Os caçadores de baleia estão de volta. Agora que elas deixaram de ser um recurso, como em outros tempos, quando de sua gordura se extraía óleo para acender lâmpadas e cozinhar, e consolidaram seu status de ícone ambiental, sendo sua observação um negócio de bilhões de dólares, está aumentando a pressão para acabar com a moratória de 18 anos sobre seu uso comercial. Um pequeno grupo de países, liderados por Japão, Noruega e Islândia, diz que alguns estoques se recuperaram o suficiente e já podem ser, ao mesmo tempo, protegidos e usados como fonte de alimento. Mesmo os biólogos concordam que alguns estoques já são teoricamente caçáveis, como os de minke e outras variedades. Para eles, o slogan "Salvem as Baleias", com mais de 35 anos, não se aplica mais.
Há uma década, a Comissão Internacional sobre Baleias, criada em 1946 para administrar a pesca da baleia, aprovou planos com cotas de caça de populações mais abundantes. Mas até hoje continua dividida sobre como promulgar um plano que impeça fraudes, com os países a favor e os países contra a caça divididos por diferenças culturais e várias interpretações de mesmos dados. Mesmo assim, no mês passado, na 56.ª reunião anual da comissão, na Itália, os delegados aprovaram uma resolução pedindo aos signatários do tratado para acordar um plano de controle para o próximo encontro.
Desde 1971, quando Songs of the Humpback Whale (Canções da Baleia Jubarte) se tornou um hit e grupos como o Greenpeace filmaram a pesca de baleias em escala industrial, cresceu no Ocidente a reverência ao animal.
Mas em países como o Japão, onde é hábito comer baleia, o direito à pesca desse animal se tornou uma questão de orgulho nacional. Yoshimasa Hayashi, do Parlamento japonês, sintetiza a posição de seu país. "No Japão, temos animais de estimação; mas não dizemos aos coreanos para parar de comer cachorros. Então, ninguém deveria nos dizer para parar de comer baleias."
Na Noruega, que inventou a caça da baleia em larga escala há um século, Halvard P. Johansen, do departamento nacional de pesca, disse que a reverência às baleias e a oposição à caça são resultado do distanciamento das sociedades modernas da fonte das outras carnes. "Muita gente só vê carne na embalagem plástica."
Muitos biólogos e ambientalistas, porém, consideram o caso das baleias especial. Richard Mott, vice-presidente para política internacional do World Wildlife Fund, afirmou que baleias são mais aparentadas com elefantes ou mogno do que com peixes e outros recursos marinhos - lentas para reproduzir, muito valiosas e abatidas por qualquer pessoa com acesso ao seu hábitat.
Segundo ele, a interrupção de um mercado global ajuda a recuperar tais estoques, mas quando o setor desse tipo de mercadoria é reativado a história tende a repetir-se.
OESP, 18/08/2004, p. A15

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