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Grito reúne 40 mil em Aparecida

OESP, Nacional, p. A11
08 de Set de 2008

'Grito' reúne 40 mil em Aparecida
Manifestantes cobram mudança de políticas públicas e mais empregos para os jovens das periferias

Valéria Rossi
Especial para o Estado

Mais empregos para os jovens de periferia, reforma das políticas públicas, demarcações de terras indígenas, o risco do desabastecimento de alimento no País, além de muitas críticas à violência nos grandes centros marcaram as discussões do 14o Grito dos Excluídos, realizado ontem no Santuário Nacional de Aparecida (SP).O ato aconteceu em conjunto com a 21ª Romaria Nacional dos Trabalhadores e reuniu cerca de 40 mil pessoas na basílica.
A mobilização começou às 6 horas com uma caminhada de cerca de 10 quilômetros do Porto de Itaguaçu ao pátio do santuário.
Segundo a organização dos dois movimentos, o evento foi pacífico. "Nosso objetivo é chamar a atenção das autoridades para as nossas denúncias.
Clamamos por mais moradias, mais empregos, uma distribuição de renda mais justa", ressaltou uma das coordenadoras do Grito dos Excluídos, Karina da Silva Pereira.
No ato, que este ano tem como tema "A vida em 1o lugar - Direitos e Participação Popular", começou às 8h45 e durou quase uma hora. Os participantes levantaram várias questões, entre elas o risco do desabastecimento de alimentos no País.
"Estamos correndo um sério risco. Apolítica de hoje está priorizando a exportação de alimentos. E como ficamos? Além de sermos privados de vários produtos, vamos ter de pagar muito mais caro por eles, por causa do desabastecimento", argumentou Karina.
A falta de moradia e a violência nos grandes centros do País também foram alvos de discussão. O movimento cobrou reforma urbana e o aproveitamento de prédios públicos desocupados nas grandes cidades.
Para o desempregado José Efigênio - um dos coordenadores da 21ª Romaria Nacional dos Trabalhadores - o encontro é uma forma de manter viva a questão da falta de emprego no País. "Tenho 62 anos e ninguém me dá mais emprego. Sobrevivo de bico." Ele também apontou a falta de oportunidades para os jovens que moram nas periferias das grandes cidades. "Se a gente é velho, não serve. Se é jovem e sem boa formação, também não adianta. O governo precisa rever isso com urgência", criticou.
"Precisamos unir forças e realizar mais atos como este. Quem sabe assim as políticas públicas mudem", comentou a desempregada Sueli da Silva Faria, que reforça o movimento todos os ano.
MISSA
Em Aparecida, o movimento foi encerrado com uma missa,às 10 horas. Segundo informações da Polícia Militar e da Assessoria de Imprensa do Santuário Nacional de Aparecida, não houve ocorrências graves registradas durante o evento de ontem.
O Grito dos Excluídos ocorre simultaneamente em várias cidades. Em Belo Horizonte, por exemplo, cerca de 1,5 mil pessoas marcharam no centro da capital, carregando cartazes atrás de um carro de som. Elas chamaram a atenção para temas variados, com a transposição do Rio São Francisco, falência do sistema carcerário, privatizações e cidadania.

OESP, 08/09/2008, Nacional, p. A11

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