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Autor: Thaís Afonso
21 de Jun de 2008
Alguns índios que ocupam há cerca de 20 anos a área onde será construído o futuro Setor Noroeste se negam a sair do local, não aceitam oferta do GDF por outra terra e pedem R$ 80 milhões para desocupar uma das áreas mais nobres de Brasília
Longe de ser uma superprodução, a novela indígena que prendeu a atenção do governo desde o início do mês está prestes a ganhar novo capítulo. A Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), dona do terreno, entrará na semana que vem com ação na Justiça para remover os índios. Nesta semana, durante evento em Sobradinho, o governador José Roberto Arruda garantiu que a resistência indígena à criação do Setor Noroeste não será empecilho à construção do novo bairro. Arruda chamou os atuais habitantes do Noroeste de "oportunistas" e afirmou que a área ocupada irregularmente não é terra indígena. A Defensoria Pública da União, que assumiu a defesa dos índios, vai entrar com uma ação declaratória para tentarobter uma demarcação oficial do terreno como área indígena tradicionalmente ocupada.
No início do mês, o povo de Tupã recebeu a proposta para ser removido para a área do Núcleo Rural Monjolo, na Região Administrativa do Recanto das Emas. O local possui oito hectares e um grande potencial agrícola. O núcleo rural tem localização privilegiada e as chácaras ficam próximas das vias locais e rodovias, além do futuro ramal do transporte público de massa, junto à BR- 251/DF-001. As negociações iniciaram em outubro de 2007, quando existiam apenas quatro famílias no local. Porém, os índios não aceitaram a proposta de negociação. Hoje eles ocupam uma área de cerca de 10 hectares dentro de um terreno de 825 hectares.
Para Arruda, a comunidade não é uma ocupante legítima das terras. "Quando Juscelino Kubitschek desapropriou essa área e construiu Brasília, não havia aqui nenhum índio. Não existe nenhum traço cultural, nada disso. À luz do bom senso, estamos tratando de uma questão ridícula", disse ele. "Daqui a pouco, alguns índios acampam ali na Esplanada dos Ministérios e vão reivindicar um tempo depois que seja um território indígena. As coisas não são assim", finalizou.
Os indígenas oriundos das tribos nordestinas Fulni-ô, Kariri-Xocó, Guajajara, Pankararu e Tuxá dizem habitar a área próxima ao parque Burle Marx há mais de 20 anos. A invasão é tida como algo sagrado. Os índios sustentam que a área do Noroeste é habitada por Tupã. Para eles, é uma espécie de manifestação divina e, em algumas tribos, considerado "parte da família do Criador". Esse seria o "vínculo" com o local e a principal dificuldade da mudança para o Recanto das Emas.
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