CB, Brasil, p. 21
23 de Mar de 2006
Grilagem de subsistência
Denunciado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) como o maior predador das florestas do oeste do Pará nos últimos 10 anos, o empresário José Donizetti Pires, deu ontem uma explicação simplória para a acusação de ter devastado uma área equivalente a 1.800 campos de futebol. Ao prestar depoimento, o empresário, que está preso desde sábado em Santarém, afirmou que o desmatamento ilegal é a única fonte de sustento de sua família.
Classificado pelo Ministério Público Federal como delinqüente ambiental compulsivo, Donizetti Pires foi enquadrado em três artigos da lei de crimes ambientais e um artigo do código penal brasileiro. Ele é acusado de desmatamento irregular, grilagem de terras e ameaça a agentes públicos. Se condenado pode cumprir pena de 3 meses a 8 anos de prisão.
Depois do interrogatório de Donizetti Pires, representantes do Ministério Público Federal disseram que vão recomendar que o empresário continue preso, uma vez que ele praticamente admitiu que não sabe fazer outra coisa na vida, além de "desmatar florestas".
Donizetti Pires ocupa uma cela na penitenciária de Cucurunã. Os crimes de que é acusado ocorreram em uma área conhecida como gleba Pacoval, a 120km de Santarém, cujos 400 mil hectares são alvo constante de grileiros e madeireiros.
Entre novembro de 2004 e fevereiro de 2006, Donizetti Pires foi autuado quatro vezes pelo Ibama por derrubar quase 2 mil hectares de mata nativa, sem autorização, e por promover a queima de 120 metros cúbicos de castanheiras, espécie protegida.
0 empresário estava na sede da Associação de Produtores Agroindustriais de Santarém, da qual é presidente, quando recebeu voz de prisão dos agentes da Polícia Federal, no sábado passado. Ele saiu algemado do local. Desde a prisão, seus advogados vinham garantindo que ele não é grileiro de terras públicas nem devastador de florestas.
Gravações feitas 15 dias antes da prisão de Donizetti Pires mostram o empresário furioso por causa de uma manifestação dos ativistas do Greenpeace e agricultores da região contra grilagem de terra e extração ilegal de madeira feitas dentro da gleba Pacoval. 0 vídeo ¡ mostra o empresário em seu carro arrastando pelo chão uma faixa usada pelos manifestantes, que denunciavam o desmatamento ilegal da área de floresta nativa. A faixa continha os dizeres "100% crime".
CB, Brasil, 23/03/2006, p. 21
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