O Globo, Rio, p.19
22 de Jul de 2004
Greenpeace protesta contra deques da Lagoa
Manifestantes do Greenpeace protestaram ontem contra a utilização de madeira da Amazônia, retirada irregularmente, para a construção dos deques da Lagoa Rodrigo de Freitas. No protesto, eles isolaram o deque próximo ao Jardim de Alah com fitas e faixas e mostraram imagens de desmatamento na Amazônia.
A ONG acusa o município de não verificar a procedência do material utilizado na obra. A prefeitura alega que a madeira tem certificado do Ibama. O órgão ambiental, no entanto, vai convidar a Secretaria municipal de Meio Ambiente a prestar informações sobre o caso.
Empresa está sendo investigada pelo MP
Segundo o Greenpeace, a madeira de 12 maçarandubas e ipês utilizada na construção dos deques foi extraída irregularmente de Rondon do Pará pela Madeireira Urubu. A madeireira já teve dois Planos de Manejo Florestal suspensos pelo Ibama em 2003 por a falta de documentos obrigatórios: não há o cadastro no Incra e o comprovante de propriedade, que pode indicar grilagem da terra. A empresa, segundo a ONG, também está sendo investigada pelo Ministério Púbico federal.
Ainda segundo o Greenpeace, o material extraído ilegalmente pela Madeireira Urubu foi comprado pela distribuidora Mademar Rio Madeiras, que revendeu o produto para a Dratec Engenharia Ltda, empresa vencedora da licitação para executar as obras dos deques.
A reconstrução do percurso da madeira da Amazônia até o Rio pelo Greenpeace foi baseada numa Autorização de Transporte de Produto Florestal (ATF), obtida junto à empreiteira Dratec. O secretário municipal de Meio Ambiente, Ayrton Xerez, responsabilizou o Ibama pela utilização da madeira ilegal nos deques, alegando que a distribuidora é licenciada pelo órgão.
A empresa que venceu a licitação comprou a madeira de uma distribuidora licenciada pelo Ibama, que é a Mademar. Se o órgão ambiental não fiscalizou o material como deveria, o usuário não pode ser responsabilizado argumentou Ayrton Xerez.
Segundo o Ibama, a Secretaria municipal de Meio Ambiente será chamada a prestar informações sobre a procedência da madeira e toda a documentação apresentada pelo Greenpeace será analisada. O órgão ambiental confirmou que a Madeireira Urubu teve dois Planos de Manejo Florestal suspensos por irregularidades.
Os manifestantes do Greenpeace também responsabilizaram o Ibama pela falta de controle das madeireiras que atuam na Amazônia. Dados da ONG mostram que, entre 2001 e 2003, mais de cinco milhões de hectares de floresta foram destruídos, o equivalente a nove campos de futebol desmatados por minuto.
Madeira mais barata é extraída ilegalmente
Os ambientalistas do Greenpeace esperam que a prefeitura do Rio tenha maior controle na compra de madeira, estabelecendo normas mais rígidas na legislação. Segundo Rebeca Lerer, coordenadora da campanha do Greenpeace na Amazônia, quando a madeira é vendida a preço muito abaixo do valor de mercado é porque foi extraída de forma ilegal.
Em geral, as empresas vencedoras de licitações públicas trabalham com preços baixos e, por isso, podem estar utilizando material de origem irregular afirma Rebeca Lerer.
A empresa Mademar Rio Madeiras não foi localizada ontem pelo GLOBO.
O Globo, 22/07/2004, p.19
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