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Green building ganha mais uma certificadora

OESP, Construção, p. Cc4-Cc5
06 de Nov de 2009

Green building ganha mais uma certificadora
SeloBRE/Breeam vem concorrer como Aqua e o Leed. Normas brasileiras,porém,já são bastante rigorosas

Lilian Primi

Na semana passada,o UKTrade & Investment (UKTI), órgão do governo britânico de promoção do comércio e investimentos internacionais, realizou um encontro de empresários do setor da construção em São Paulo (SP), onde, além de discutir o que o mercado chama de "green building", apresentou mais um selo de certificação para construção civil, o BRE/Breeam. Já funcionam no Brasil os processos Leed,de origem americana e mais voltado para construção de edifícios comerciais, e o Aqua, lançado pela Fundação Vanzolini em parceria com a Poli/USP, com base na experiência francesa e que passa este ano a certificar também obras residenciais.
O selo inglês, o The Environmental Assessment Method for Buildings Around The World, é o primeiro método de avaliação de desempenho ambiental de edifícios. Foi criado nos anos 1990 e serviu de modelo para outros métodos, como o norte-americano Leed. O funcionamento dessas organizações está baseado no estabelecimento de exigências sobre a construção, o entorno e o meio ambiente,e na criação de uma rede independente de consultoria, responsável pela auditoria que vai conferir e atestar a adoção das medidas preconizadas. Em geral, essas exigências incluem boas práticas de construção, criação de ambientes confortáveis e redução do impacto ambiental tanto em termos de consumo de recursos como de emissões.
No Brasil isso se traduz basicamente na adoção de captação e reúso da água da chuva, instalação de sistemas solar de aquecimento da água, uso de materiais produzidos de forma sustentável e criação de estrutura para boas práticas na pós ocupação, como separação de lixo, cobrança individualizada de água e sistemas de ventilação e iluminação naturais.
Criados para divulgar e incentivar o uso de tecnologias sustentáveis em uma atividade de alto impacto no ambiente, os selos de certificação estão ganhando espaço no mercado imobiliário brasileiro como um diferencial importante, intensamente utilizado como marketing. "A expectativa do mercado é ganhar a prioridade do comprador e acelerar as vendas", diz o professor Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo do Aqua.
O professor da Poli/USP Vahan Agopyan, conselheiro do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS), diz que a entidade foi criada justamente para impedir que as certificações se transformem exclusivamente em ferramenta de marketing. "Deve ser uma ferramenta de gestão da obra, que vá além das exigências já feitas pelo escopo de normas técnicas e de desempenho", afirma. Agopyan se refere às várias NBRs que incidem e controlam a construção civil, e aos processos ISO.
Normas X Certificação
Segundo levantamento do Comitê Brasileiro da Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), existem cerca de 950 normas em vigor para o setor, sendo que,no âmbito geral,várias delas publicadas pelo Comitê 38 (ABNT/CB38) tratam do controle ambiental. Há um trabalho mais intenso nesse sentido no Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados (ABNT/CB-18). A superintendente do comitê, engenheira Inês Battagin, cita como exemplo o Projeto de Norma de Água para Amassamento do Concreto, em fase final de elaboração, que trabalha para racionalizar o consumo durante a produção do concreto.
O diretor executivo do fizemos algumas Adaptações para o Brasil", explica.
O Leed, que começou a funcionar no Brasil em 2007, já certificou 10 prédios no País e tem 148 projetos em processo de certificação.
Martins, do Aqua, diz que o processo da Fundação Vanzolini usa as normas brasileiras como base. "Somos o único selo brasileiro de certificação.
Quando não existe uma norma brasileira específica, adotamos a francesa", explica. O selo tem a adesão de 14 edifícios, seis parcialmente certificados e um com certificação completa.
"Nossa vantagem é que não precisamos pedir licença para fazer ajustes e adaptações, como os selos internacionais", diz o diretor da Inova Tech, Luiz Henrique Ferreira, uma das consultorias responsáveis pelas auditorias do Aqua.

Certificação é inviável para baixa renda
Com poucos recursos, é impossível,por exemplo,adotara captação e o reuso de água da chuva
DESCRIÇÃO BÁSICA DOS SELOS DE CERTIFICAÇÃO
Os selos de certificação se restringem a empreendimentos de alto padrão, pois, além de terem um alto custo, exigem o uso de materiais e sistemas mais caros que os convencionais."
Com R$30 mil por unidade, o valor básico destinado à construção de habitações populares, não é possível, por exemplo, fazer captação e reuso da água de chuva. Teríamos que dobrar o sistema hidráulico", diz o arquiteto da Peabiru Trabalhos Comunitários e Ambientais, André Drummond Soares de Moura. A Peabiru é uma das assessorias criadas paradarapoioao programa de mutirões e autogestão adotado na gestão da ex-prefeita Luiza Erundina, na capital."O programa se esvaziou, mas as atividades continuam, com financiamento do governo federal."
O valor destinado à construção de habitações de interesse social no âmbito do Minha Casa, Minha Vida subiu para R$ 52 mil por unidade."Mesmo assim, em São Paulo é difícil, por causa do preço da terra. A cidade tem o preço de terra mais caro do País",diz. Segundo ele, a disputa por terra em São Paulo joga as populações de baixa renda para as franjas da cidade, em áreas que não deveriam ser ocupadas, como as de mananciais. "Os governos voltaram a adotar a política da remoção, o que não resolve o problema, só o muda de lugar."
Moura diz que instalou uma Estação de Tratamento de Esgotos( ETE)em um dos conjuntos, mas não acha que o resultado seja efetivo no controle ambiental. "A Sabesp obriga a jogar o esgoto na rede. Assim, o conjunto limpa seu esgoto e joga a água limpa na rede suja.
Além de não adiantar, é a comunidade que arca com o custo de manutenção da ETE."
Além do aumento dos recursos por unidade, O MCMV também está destinando uma verba de R$ 8 mil por unidade a fundo perdido para financiar a instalação de aquecimento solar nos empreendimentos para famílias com renda de até três salários mínimos. L.P.

Inspiração vem de fora

Os sistemas de certificação adotados no Brasil sempre se baseiam em experiências internacionais e, em geral, são gerenciados por grupos independentes. No caso do Leed, o gerenciamento é feito por um grupo de empresas reunidas no Green Building Council (GBC), que no Brasil tem 251 membros, entre eles o Banco Real, rede Walmart, Cushmman, Cyrella e WTorre.
OAqua (Alta Qualidade Ambiental) foi inaugurado no Brasil pela Fundação Vanzolini em 2007, a partir de um acordo com o instituto francês Centre Scientifique et Technique du Bâtiment para adaptação dos referenciais técnicos da certificação francesa HQE (Haute Qualité Environnementale) ao Processo Aqua no Brasil. OBRE/Breeam ainda não tem representação no Brasil.

OESP, 06/11/2009, Construção, p. Cc4-Cc5

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