VOLTAR

Grandes mamíferos em risco

O Globo, Ciência, p. 31
28 de Dez de 2007

Grandes mamíferos em risco
Populações têm queda por causa das atividades humanas

Quase 80% da área da Terra apresenta um declínio das populações de grandes mamíferos em comparação com a sua existência há 500 anos, revela um estudo inédito feito nos EUA. As causas, apontam os cientistas, são as atividades humanas. Trata-se da primeira medição ecológica de tal impacto na biodiversidade do planeta tendo esses animais como referência. Produzido por pesquisadores da Universidade de Princeton, em associação com a ONG ambiental WWF, o estudo defende que medidas urgentes sejam tomadas para proteger esses animais, que estão sofrendo com a caça e a perda de habitat.

Tigres, alces e lobos entre as espécies ameaçadas

Grandes mamíferos estão no topo da cadeia alimentar e servem como uma espécie de engenheiros da paisagem. Sua redução tem efeitos de longo prazo na saúde dos ecossistemas. O estudo fornece dados para que autoridades e ONGs atuem na proteção desses animais, que estariam sofrendo riscos cada vez maiores de extinção.

- Talvez o dado mais impressionante da pesquisa seja o fato de que as áreas que detêm quase a mesma quantidade de mamíferos de 500 anos atrás sejam aquelas consideradas de condições extremas - conta John Morrison, da WWF e um dos autores do estudo. - São regiões remotas que são muito secas, muito quentes, muito frias ou tão pantanosas que afugentam a atividade do homem.

Os pesquisadores compararam o alcance e a área de distribuição atual de 263 mamíferos terrestres em relação à sua ocorrência há 500 anos. Grandes mamíferos são definidos como aqueles com massa corporal superior a 20 quilos. O período foi escolhido como base para a pesquisa porque registra o aumento significativo da colonização e os efeitos da Revolução Industrial no meio ambiente. Além disso, como apenas sete espécies de grandes mamíferos foram consideradas extintas desde então, houve a chance de preservação das espécies remanescentes.

De acordo com o estudo, entre os animais mais afetados estão os tigres, alces, bisões, elefantes, leões e lobos. Os que sofreram a maior redução do seu habitat foram os alces, fato que surpreendeu os cientistas, que sempre consideraram sua área de ocorrência como extensa. Em termos de percentual de redução, o maior impacto das atividades humanas se deu com os cavalos.

A Oceania teve o melhor desempenho, mantendo 68% dos seus mamíferos, quanto a área que abriga países como Vietnã, Camboja, Laos e Tailândia apresentara os piores resultados, com apenas 1% de animais preservados.

- Com o estudo, podemos saber os ecossistemas onde esses mamíferos ainda desempenham um importante papel regulador - diz Eric Dinerstein, da WWF. - Graças a ele, podemos restaurar o equilíbrio em áreas onde espécies estejam em declínio, num crucial trabalho de conservação.

O Globo, 28/12/2007, Ciência, p. 31

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.