VOLTAR

Grandes grupos lideram a expansão dos canaviais

OESP, Agrícola, p. 10-11
21 de Nov de 2007

Grandes grupos lideram a expansão dos canaviais
Lavoura cresce em todo o Centro-Sul. Investimentos de apenas quatro empresas chegam à casa dos R$ 7 bilhões

José Maria Tomazela

O potencial para expansão da produção de açúcar e álcool no País, aliado ao crescimento na demanda mundial por energia de fontes alternativas, deu novo dinamismo ao agronegócio brasileiro. Grandes grupos estão sendo atraídos para o setor sucroalcooleiro de olho, não só na produção do açúcar e do álcool, mas na possibilidade de agregar a esses insumos a produção de biocombustível e de bioeletricidade.

O grupo Odebrecht escolheu o Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, para criar seu pólo sucroalcooleiro. A região ficou conhecida pelos conflitos de terras, mas isso não inibiu a empresa: os investimentos podem chegar a R$ 3 bilhões.

CINCO ANOS

O plano da Odebrecht é estar entre os maiores grupos do setor no País em cinco anos. Para isso, adquiriu uma usina tradicional na região, a Alcídia, em Euclides da Cunha Paulista, e outra em obras, a Conquista do Pontal, em Teodoro Sampaio, e planeja a construção da terceira unidade em Presidente Epitácio. No futuro, a Odebrecht deve investir em Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas.

O projeto de uma usina em Rio Brilhante (MS) está em andamento. A Odebrecht é uma das empresas que devem ser atendidas pelo álcoolduto que interligará as regiões produtoras ao terminal da Petrobrás em Paulínia (SP) e ao porto Paranaguá (PR). A expectativa é a de que, em dez anos, o setor sucroalcooleiro represente até 25% do faturamento do grupo.

O secretário de Agricultura de São Paulo, João Sampaio, acredita que os investimentos contribuirão para o desenvolvimento do Pontal. 'Haverá geração de emprego qualificado e de renda.' Ele diz que a renovação dos canaviais, à razão de 20% ao ano, deverá estimular também a produção de grãos.

ENERGIA

A Companhia de Energia Renovável (Cerona) optou por Mato Grosso do Sul para investir. Um de seus diferenciais será a geração de eletricidade a partir do bagaço da cana e do eucalipto. O grupo recém-formado vai investir R$ 1,5 bilhão no projeto, que prevê a construção de duas usinas em Nova Andradina e Bataíporã. Na entressafra da cana, as fornalhas serão abastecidas com um mix de bagaço, palha e cavaco de eucalipto. No futuro, serão construídas mais duas usinas em Jateí e Anaurilândia. Até 2014, serão criados 3 mil empregos diretos. A Cerona é formada pela Brazilian Energy Partners (BEP), um fundo americano, especializado em energia renovável, que detém 95% da empresa.

A Cerona ingressa no setor com disposição: juntas, as duas usinas processarão de 8 milhões a 10 milhões de toneladas de cana/ano, sendo 7 milhões de área própria. A produção anual será de 700 mil toneladas de açúcar e 450 milhões de litros de álcool. Mas a grande aposta é na geração de energia.

EXCEDENTE

A Cerona espera dispor de 1 milhão de megawatts ao longo do ano. Além de atender ao consumo próprio, o excedente será vendido para o sistema elétrico. 'Estamos falando de uma receita extra de R$ 140 milhões/ano', diz Dupire. Além da cana, a empresa planta 6 mil hectares de eucalipto para mover as turbinas na entressafra.

Os canaviais já se espalham pelos arredores de Nova Andradina. Até 2009, a cultura ocupará 15 mil hectares, em parceria com agricultores. Conforme o agrônomo Edson Mitsuo Okumura, os plantios iniciais, irrigados, destinam-se à produção de mudas das 15 variedades adaptadas à região. O superintendente-agrícola do grupo, João Rossi, diz que os canaviais avançam sobre áreas de pastos degradados. 'As reservas de mata serão preservadas e ampliadas.' A região terá, ainda, uma unidade do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para pesquisas e seleção de variedades.

Meio ambiente recebe atenção especial nos novos investimentos
Empreendedores fizeram relatórios de impactos ambientais, vão recuperar matas ciliares e não queimarão a cana

José Maria Tomazela

O grupo paulista Cosan, líder do setor no Brasil, escolheu o sudoeste de Goiás para sua expansão. Serão instaladas três usinas, em Jataí, Montividiu e Paraúna, para moer 10,5 milhões de toneladas de cana até 2012 - um investimento inicial de R$ 1,2 bilhão. Valor equivalente será investido em mais três anos para elevar a capacidade de moagem para 30 milhões de toneladas.

AMPLIAÇÃO

A produção do pólo centro-oeste da Cosan deverá atingir 2,7 bilhões de litros de álcool. Somente na primeira fase, a cana deve ocupar 110 mil hectares, 50% em cultivos próprios. As usinas começam a moer em 2009. A Cosan está ampliando a capacidade das usinas que já possui em São Paulo e prepara a construção de novas unidades. Atualmente, a empresa já cultiva meio milhão de hectares com cana.

A Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), empresa com capital brasileiro e norte-americano, instala seu segundo pólo usineiro e de energia elétrica no Centro-Sul. Serão construídas duas usinas em Paranaíba (MS) e uma em Itajá (GO), com investimento de R$ 1,2 bilhão, geração de 6 mil empregos e capacidade para 10 milhões de toneladas, com produção de 900 milhões de litros de álcool/safra.

As usinas começam a moer em 2010 e complementam os cinco projetos já anunciados pela empresa em seu primeiro pólo, com unidades em Costa Rica (MS), Alto Taquari (MT), Perolândia e Mineiros (GO). A Brenco espera se tornar, até 2015, um dos maiores produtores de etanol do País, com a produção de 3,8 bilhões de litros em dez usinas.

Em Araçatuba, no oeste paulista, a União dos Produtores de Bioenergia (UDOP) será a gestora do Centro de Tecnologia e Excelência em Bioenergia (CTBio) para atender à demanda de mão-de-obra qualificada do setor sucroalcooleiro. O projeto está sendo desenvolvido com apoio das empresas.

A entidade prevê que o Brasil vai gerar mais de 1 milhão de vagas no setor nos próximos cinco anos, em razão da demanda de uma centena de novas usinas, a maior parte no Centro-Sul. Para o secretário de Agricultura de SP, o País passará a exportar não só a tecnologia e processos de gestão em etanol, mas também a própria mão-de-obra qualificada.

MEIO AMBIENTE

Cientes de que o mercado internacional é bastante sensível às questões sociais e ambientais, os empreendedores dão atenção especial a esses setores. O grupo Cerona vai operar com 100% de mecanização na colheita para evitar a queima da palha da cana.

Também se comprometeu a colaborar com os parceiros para recompor as reservas nas propriedades em que as áreas sejam menores do que os 20% exigidos por lei.

Os projetos das usinas foram precedidos de estudos e relatórios de impacto ambiental. 'Não haverá desmatamento.Vamos desenvolver um trabalho para recuperar matas ciliares e áreas de preservação', diz Rossi. A empresa desenvolveu um sistema para transformar em adubo líquido a vinhaça, resíduo rico em potássio, gerado pelo processamento da cana.

No Pontal, o grupo Odebrecht vai recuperar matas ciliares e apoiar projetos de preservação de fragmentos florestais. Por meio da Fundação Odebrecht, serão desenvolvidos projetos sociais na região.

Em São Paulo, 96 usinas já assinaram o Protocolo de Cooperação Agroambiental, que prevê o fim da queima da cana-de-açúcar até 2014 nas áreas mecanizáveis e até 2017 nas não mecanizáveis. Pela lei estadual, as queimadas poderiam ocorrer até 2021 e 2031, respectivamente. Mas, para os novos projetos, a mecanização deve ser total.

OESP, 21/11/2007, Agrícola, p. 10-11

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.