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Grandes empresas prometem reduzir emissão de carbono

OESP, Vida, p. A23
26 de ago de 2009

Grandes empresas prometem reduzir emissão de carbono
Em carta, elas cobram também mais ações do governo na área de clima

Afra Balazina

Dezoito empresas de destaque no cenário nacional assinaram ontem carta em que se comprometem a buscar a "redução contínua" de suas emissões de gases de efeito estufa, que provocam o aquecimento global. No documento, elas também se obrigam a divulgar anualmente o quanto emitiram de CO2.

Ao assumir compromissos, o empresariado também cobrou ações do governo. Quer que o País lidere as negociações na conferência do clima de Copenhague, em dezembro. Pede ainda que o governo produza estimativas anuais de emissões de gases-estufa e, a cada três anos, apresente um inventário.

Entre as signatárias do documento estão a Vale, o Grupo Pão de Açúcar, a Camargo Corrêa, a Natura e a CPFL Energia. A apresentação ocorreu no fórum Brasil e as Mudanças Climáticas, em São Paulo.

Outra reivindicação dos empresários é que o governo simplifique a avaliação de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Por esse mecanismo, as nações ricas podem comprar créditos de carbono de projetos sustentáveis feitos em países em desenvolvimento. Essa é uma forma dos industrializados conseguirem atingir suas cotas de redução de emissões de gases-estufa.

Faltam cerca de cem dias para a reunião de Copenhague, quando os países definirão as metas de redução de emissões de CO2 que valerão para o segundo período do Protocolo de Kyoto, em 2013.

O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), presente ontem no evento, afirmou que o Brasil levará para Copenhague um "número" - o governo evita falar em meta - que significará um declínio da curva das emissões brasileiras de CO2.

Posições individuais

A senadora Marina Silva elogiou a iniciativa das empresas, mas ressaltou que ainda se tratam de posições individualizadas e não de todo um setor. Marina, que se desligou do PT e deve se filiar domingo ao PV, criticou o discurso do governo.

"O governo ainda está com uma posição bastante genérica. (...) Ainda não se sabe qual é a meta que o País vai apresentar. Foi colocado que virá alguma coisa forte, significativa, mas a sociedade ainda não sabe", disse.

Luiz Alberto Figueiredo Machado, embaixador que chefia as negociações de clima pelo País, diz que o Brasil trabalha para chegar a Copenhague de maneira ambiciosa. E que vai exigir o mesmo dos demais países para obter um resultado robusto.

Pressão do mercado e resistências

Roger Agnelli
Diretor-presidente da Vale
"Não é difícil convencer a assumir o compromisso aquelas empresas que estão na competição internacional e sofrem pressão fortíssima de seus clientes e acionistas (para reduzir as emissões de CO2)"

Carlos Minc
Ministro do Meio Ambiente
"Existem resistências na sociedade e no governo. Nós propusemos que as térmicas a carvão e a óleo plantassem árvores como forma de compensação, por exemplo, e houve reações imensas"

OESP, 26/08/2009, Vida, p. A23

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