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Grande SP tem 60 Km2 de favela

OESP, Metropole, p.C1
05 de out de 2005

Grande SP tem 60 km2 de favelas
Mapas inéditos da região mostram que 400 mil habitações precárias já invadiram áreas de proteção ambiental e de cultivo
Mauro Mug
A expansão das favelas ultrapassou os limites da periferia de São Paulo. São 400 mil habitações precárias espalhadas por uma área de 60 quilômetros quadrados, onde vivem cerca de 1,6 milhão de pessoas. Boa parte dessas favelas invadiu áreas de proteção ambiental e de mananciais em Osasco, Guarulhos, São Bernardo do Campo, Diadema, Taboão da Serra e Embu e de produção de hortifrutigranjeiros de Suzano, Mogi das Cruzes e Biritiba-Mirim.
Essas informações constam de 64 mapas, cujas imagens foram extraídas do satélite Ikonos entre 2003 e junho deste ano, que serão divulgados hoje pela Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano (Emplasa). "As favelas ocupam uma área equivalente a todo o município de Barueri ou a quatro vezes o de São Caetano", afirma o presidente da Emplasa, Marcos Campagnone. Segundo ele, o ritmo da expansão das favelas cresceu nos últimos dez anos.
Os dados da Emplasa confirmam o processo de concentração do crescimento populacional na periferia da capital e em outras cidades da Grande São Paulo. Formada por 39 municípios, a região metropolitana têm 19 milhões de habitantes, espalhados por 8.051 quilômetros quadrados. "As favelas são construídas em áreas de risco de deslizamentos de terra, como nos morros de Caieiras, Francisco Morato e na Serra da Cantareira, região de proteção ambiental."
Outro problema é o crescimento no entorno dos mananciais. Só no entorno das Represas Billings e Guarapiranga vivem 2 milhões de pessoas. "Esse número cresce a uma taxa anual de 7% na Billings e de 3,5% na Guarapiranga."
Apesar disso, Campagnone considera que a relação entre mancha urbana e áreas verdes não é tão catastrófica. "A mancha urbana é de 2.262 km2, enquanto a área verde, composta de campo, capoeira e mata, soma 4.600 km2." O problema, segundo ele, é mesmo o avanço da mancha urbana para a periferia. "Falta infra-estrutura para comportar o crescimento."

Verticalização de núcleos preocupa pesquisadora
Iuri Pitta e Mauro Mug
Para a pesquisadora Maria Lúcia Refinetti Martins, coordenadora do Laboratório de Habitação (LabHab) da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), a ocupação dos mananciais é um dos aspectos mais graves do crescimento das periferias. Ela chama a atenção para o fato de que a densidade das favelas está aumentando. "As habitações hoje têm dois ou três andares. Isso eleva a área construída."
A maior conseqüência da periferização é o aumento dos deslocamentos dos moradores de bairros distantes para a região central da cidade para trabalhar ou estudar. "Essa intensa mobilidade urbana é agravada pela falta, na periferia, de oferta de trabalho e da baixa renda, além da carência de equipamentos públicos, como creches, escolas e unidades de saúde", diz o presidente da Emplasa, Marcos Campagnone. "Os deslocamentos provocam congestionamentos, superlotação no transporte público e aumento da poluição do ar." Segundo ele, só para tratar doenças decorrentes da poluição são gastos US$ 100 milhões por ano. Sem contar prejuízos como o fato de os moradores perderem horas de sono e de convivência com a família.

Câmara aprova plano de melhorias em Paraisópolis
Iuri Pitta
REGULARIZAÇÃO: A Câmara aprovou ontem, em votação simbólica e definitiva, o projeto de lei que autoriza a Prefeitura a receber, como doações, imóveis em Paraisópolis, zona sul, para promover a urbanização e regularização fundiária da favela. A proposta havia sido apresentada pela ex-prefeita Marta Suplicy e foi encampada pelo prefeito José Serra.

OESP, 05/10/2005, p. C1

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