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08 de Abr de 2026
Grande protesto indígena no Brasil tem como alvo o projeto da mina de ouro Belo Sun.
8 de abril de 2026
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Líderes do Xingu expressam preocupação com violações de direitos fundiários e exclusão do licenciamento ambiental.
Brasília, Brasil - Milhares de indígenas marcharam ontem na capital brasileira, durante o segundo dia do Acampamento Terra Livre 2026 (ATL), a maior mobilização indígena do país, para denunciar as violações de direitos territoriais causadas por projetos de mineração, agronegócio e exploração madeireira em larga escala. Líderes da região do Xingu condenaram a megamina Volta Grande, proposta pela empresa canadense Belo Sun, como emblemática do atual ataque aos direitos territoriais indígenas e da falta de consulta às comunidades ameaçadas por projetos industriais.
Enquanto eles marchou Ao longo da Esplanada dos Ministérios em direção à Praça dos Três Poderes, a delegação indígena do Xingu pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que honrasse sua defesa pública dos direitos indígenas e dos ecossistemas da Amazônia contra projetos que ameaçam seus territórios e modos de vida. Após um mês de ocupando Na sede da FUNAI, em Altamira, um grupo de representantes das etnias Juruna, Arara, Xipaia, Parakanã e Xikrin se uniu à marcha de mais de 7,000 pessoas reunidas em ATL, carregando cartazes e faixas com os dizeres "Fora Belo Sun" e "A vida vale mais que ouro".
A Belo Sun pretende construir a maior mina de ouro a céu aberto do Brasil às margens do Rio Xingu, com operações que se estenderão por 1735 quilômetros quadrados, uma área aproximadamente duas vezes maior que a cidade de Nova York. O projeto inclui múltiplas cavas de rejeitos, processamento com cianeto e uma barragem de rejeitos de mineração adjacente ao Xingu, um dos afluentes mais importantes da Amazônia brasileira. Especialistas alertam que o rompimento da barragem da mina destruiria o rio, causando consequências irreversíveis para seus habitantes e para uma vasta região da Amazônia.
"Estamos aqui em Brasília para denunciar essas violações e exigir uma resposta das autoridades que corresponda à gravidade deste projeto. Nossa mensagem é clara: queremos o fim definitivo da Belo Sun em nosso território", afirmou Sol Juruna, uma das líderes do movimento.
Além da reivindicação central, os povos indígenas do Xingu denunciam o fato de o processo de licenciamento do projeto permanecer sob a jurisdição da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Estado do Pará (SEMAS), que críticos descrevem como uma mera formalidade para a aprovação de licenças, em vez de estar sob a responsabilidade do IBAMA, órgão ambiental federal brasileiro. Eles questionam por que um projeto dessa magnitude - com graves riscos socioambientais, localizado a apenas 10 quilômetros da barragem de Belo Monte e adjacente a um importante rio e a territórios indígenas - não foi colocado sob jurisdição federal, como exige a legislação brasileira. O Ministério Público Federal (MPF) e ONGs como o Instituto Socioambiental (ISA) também contestaram o processo de licenciamento.
Outra grande preocupação aparece no relatório. Minando Direitos O estudo "Direitos de Mineração Afastados", produzido para o Ministério dos Povos Indígenas do Brasil, afirma que o processo de licenciamento do projeto Volta Grande excluiu comunidades indígenas que deveriam ter sido consideradas desde o início. Segundo o estudo, a Belo Sun consultou apenas os povos que vivem nos dois territórios indígenas demarcados na região de Volta Grande, excluindo outras comunidades ameaçadas. O relatório aponta "pelo menos 10 comunidades desconsideradas e ignoradas" e mostra que, se as aldeias Xikrin do Território Indígena Trincheira-Bacajá forem contabilizadas individualmente, o número total de comunidades excluídas pode chegar a 57.
O mesmo relatório identifica os Xikrin do Território Indígena Trincheira-Bacajá como um povo ameaçado pela megamina da Belo Sun, afirmando que a empresa os excluiu devido a um limite arbitrário de 10 quilômetros utilizado no processo de licenciamento ambiental brasileiro para definir as comunidades afetadas. Os pesquisadores recomendam uma investigação mais aprofundada sobre as violações de direitos humanos envolvendo aldeias Xikrin e outras comunidades na região do Volta Grande do Xingu.
"A Belo Sun aposta numa política que nos torna invisíveis. Com o apoio do governo do Pará, minimizaram os impactos no papel para negar direitos aos povos que serão concretamente afetados no terreno. Não há consulta verdadeira quando comunidades inteiras são excluídas do processo e tratadas como se não fizessem parte do Volta Grande. É por isso que continuaremos a resistir", afirmou Ngrenhkarati Xikrin, líder Xikrin do Médio Xingu.
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