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Grafismos de tribo do Acre encantam e viram moda no Rio

OESP, Nacional, p. A12
01 de mai de 2005

Grafismos de tribo do Acre encantam e viram moda no Rio
Os yawanawás fecharam acordo com empresa americana e carioca

João Maurício da Rosa
Especial para o Estado

Das margens do Rio Gregório, no Acre, a moda dos índios yawanawá está pronta para embarcar até a passarela do Shopping Fashion Mall, no Rio de Janeiro. Eles vão exibir os grafismos e bichos da floresta com os quais se pintam estampados em tecidos de algodão mesclados a fibra de cupuaçu e cortados com a arte de estilistas do primeiro time do mundo da moda.
O empreendimento foi idealizado por Joaquim Tashka, uma das lideranças dos yawanawás (em tradução literal, povo da queixada, referência a uma espécie de porco-do-mato que gosta de andar em bandos).
O evento no Rio está sendo patrocinado pelo empresário Olavo Monteiro de Carvalho, do Grupo Monteiro Aranha. No dia 13 de junho ele oferece um jantar para 40 convidados e empresários do segmento e, no dia seguinte, promove um desfile no Fashion Mall. Uma comitiva de 14 yawanawás garantiu presença e recebeu doação de passagens do governo do Acre.
"A idéia da grife surgiu como uma visão", explica Tashka. Ele conta que teve a idéia em julho de 2004 durante a celebração do yawa, uma festa anual que reúne as quatro aldeias dos yawanawás do Rio Gregório para dançar e beber caiçuma, uma aguardente à base de mandioca. "Vendo as pinturas na pele do povo durante a festa, imaginei como elas ficariam estampando camisetas, blusas e vestidos e conquistando o mundo da moda", relata.
Tashka tem visão empresarial e sua etnia conta com uma experiência de 12 anos no mundo internacional de negócios. Reunidos na Cooperativa Yawa (Copyawa), os 620 yawanawás do Rio Gregório têm dois contratos anuais de US$ 180 mil com a multinacional norte-americana Aveda, uma das maiores do segmento de cosméticos.
Um dos contratos é para a produção de quatro toneladas anuais de urucum e outro - que varia entre US$ 40 mil e US$ 50 mil - permite que o nome yawanawá apareça ao lado da marca Aveda. A variação de valor, segundo Tashka, é porque o contrato é condicionado às necessidades de investimentos em projetos sociais nas aldeias.
"Compramos motores de barco, combustível, peças de manutenção e às vezes fretamos avião para transportar os doentes", explica.
A coleção que será exibida no Rio é a segunda dos yawanawás. A primeira foi exibida e comercializada em Rio Branco com patrocínio da empresária Íris Tavares, dona da maior loja de grifes do Acre e que veste boa parte da elite local. Íris conta que das 400 peças da primeira produção, assinada por Patrícia Bowles, vendeu 70% entre novembro e o Natal de 2004. Cada uma custava R$ 90,00. "A parceria tem mão dupla. Eles agregam valor às suas roupas e às roupas das outras grifes", raciocina Íris, mostrando as peças yawanawás entre marcas como Iódice e Zoomp.

OESP, 01/05/2005, Nacional, p. A12

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