OESP, Economia, p. B8
22 de Abr de 2010
Governo vê pressão da Queiroz Galvão
Anúncio da possível saída da obra de Belo Monte foi, na visão do governo, uma pressão para evitar avanço de outras empreiteiras
Renato Andrade
A Queiroz Galvão vai negociar nos próximos dias uma forma de garantir maior participação na construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). O anúncio da possível saída da empresa do consórcio que venceu o leilão anteontem foi entendido pelo governo apenas como um sinal de pressão da construtora para assegurar uma parcela significativa da obra em suas mãos.
O Palácio do Planalto foi avisado sobre a ameaça da Queiroz Galvão logo após o encerramento do leilão. Coube ao ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, discutir o assunto com a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, que participou ativamente das negociações que garantiram a formação do consórcio que arrematou a usina, apesar do favoritismo do grupo liderado por Andrade Gutierrez.
"Eles estão querendo mais participação na área de construção", disse uma fonte do governo. "Os sócios vão conversar e ver o que a empresa quer." A preocupação da Queiroz Galvão é ficar apenas com o risco do projeto - porque detém 10,02% do grupo que irá administrar a usina - e perder para as concorrentes Camargo Corrêa e Odebrecht parcela significativa do contrato de construção efetiva da hidrelétrica, que será a terceira maior do mundo.
Oficialmente, a Queiroz Galvão não fez comentários sobre a possibilidade de desistência, que foi divulgada pelo presidente do consórcio, José Ailton de Lima, que também é diretor de engenharia e construção da Chesf, subsidiária da Eletrobrás que liderou o grupo vencedor.
A possibilidade da Queiroz abocanhar uma parcela significativa da construção é remota. Segundo fonte do setor, desde o início da formação do consórcio Norte Energia, já estava certo que a construção da usina seria repartida entre grandes construtoras para diminuir o custo da obra. "A ideia de deixar para a Queiroz uma parcela gigantesca do projeto é um sonho de uma noite de verão", disse a fonte.
Malucelli fica. Os boatos sobre a saída da J. Malucelli Construtora foram negados pela direção da empresa. "O grupo nega os rumores de que não teria interesse em continuar no consórcio vencedor para a construção de Belo Monte", afirmou a companhia em nota divulgada ontem. A empresa informou que ficou "satisfeita" com o resultado do leilão e que "não tem a intenção de sair do projeto".
Autoprodutores. As negociações para a inclusão dos chamados autoprodutores no consórcio serão intensificadas ainda esta semana. A CSN e Gerdau são os candidatos mais prováveis para ingressar no grupo.
Os autoprodutores entram como sócias da usina para garantir a energia consumida em suas fábricas. / Colaborou Christiane Samarco
OESP, 22/04/2010, Economia, p. B8
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100422/not_imp541426,0.php
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.