OESP, Economia, p. B11
26 de Ago de 2007
Governo vai incentivar energia solar
Ministério de Minas e Energia vai apresentar neste mês estudo sobre uso da tecnologia para aquecer água
Nicola Pamplona
O governo federal quer incentivar o uso de energia solar para aquecer água em imóveis residenciais e comerciais no País. A medida segue linha já adotada pela Prefeitura de São Paulo, que determinou o uso da tecnologia para novos empreendimentos imobiliários na cidade. O Brasil aparece na literatura técnica como mau exemplo no uso intensivo de eletricidade para o aquecimento de água. "O chuveiro elétrico é o grande vilão do setor energético brasileiro", diz o pesquisador Ari Vaz Pinto, do Centro de Pesquisas em Energia Elétrica (Cepel).
Especialistas advertem, porém, que a energia solar ainda está longe de substituir grandes fontes geradoras mais poluentes, como defendem organizações de defesa do meio ambiente. Em médio prazo, a tecnologia deverá se restringir ao aquecimento de água e à eletrificação de pontos isolados do País, diz o pesquisador. Tanto que a energia solar nem é citada como alternativa relevante no Plano Nacional de Energia (PNE) 2030, divulgado este ano pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
Segundo o Ministério de Minas e Energia, estudo feito por uma consultoria externa sobre o programa de incentivo ao aquecimento de água será apresentado ainda neste mês. O projeto é uma parceria com o Ministério de Meio Ambiente. O governo quer estudar modelos adotados em outros países para buscar a melhor maneira de incentivar a difusão dos aquecedores de água a energia solar.
Apesar de demandarem alto investimento inicial, os painéis solares garantem enorme economia para o setor elétrico, aponta o pesquisador Sérgio Colle, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro do membro da Sociedade Internacional de Energia Solar (ISES, na sigla em inglês). Segundo ele, cada chuveiro substituído por aquecedor solar representa economia de US$ 300 ao sistema de energia. Isso porque no horário de ponte, no início da noite, distribuidoras precisam investir muito para que mais energia chegue aos consumidores, mesmo que, na maior parte do dia, a rede opere com volumes bem inferiores. Colle calcula que o sistema reserva energia equivalente a um quarto da usina de Itaipu apenas para atender aos chuveiros elétricos.
Mas substituir a energia hidrelétrica pela solar "não tem cabimento", para Ari Vaz Pinto. Segundo ele, o custo de geração por painel solar é deUS$ 7 mil por kilowatt (kW) de potência, mais de sete vezes o custo da energia hídrica. Mais otimista, Colle calcula que o custo pode ser a metade disso e acredita que, chegando aos US$ 2 mil por kW instalado, a tecnologia se torna viável.
Empresas se preparam para alta nas vendas
Depois de São Paulo, outras 40 cidades estudam criar incentivos
Andrea Vialli
Os fabricantes de equipamentos para aquecimento solar já registram aumento da demanda e se preparam para uma avalanche de pedidos que devem acontecer em 2008, tão logo a lei de incentivo paulistana - atualmente em fase de regulamentação - entre em vigor.
"Estamos sendo bastante procurados, mas o resultado efetivo virá a partir do primeiro semestre de 2008", afirma Luís Augusto Mazzon, diretor-presidente da Soletrol, fabricante de equipamentos de São Manoel (SP). "Vamos aumentar o nosso efetivo em 25%. Já estamos contratando gente nas áreas de produção, comercial e engenharia", avisa Mazzon, que prevê fechar 2007 com crescimento de 30% em relação a 2006.
O prenúncio de um novo apagão, o aumento das preocupações com as mudanças climáticas e a redução do preço dos equipamentos movimenta esse mercado, que cresceu 15% ao ano nos últimos cinco anos. Hoje, um equipamento básico para aquecimento solar - formado por um coletor (painel), reservatório e um sistema hidráulico, que liga o reservatório às torneiras e chuveiros - já pode ser adquirido por R$ 1,5 mil.
De acordo com Carlos Faria, do Departamento de Energia Solar da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), os incentivos municipais darão mais impulso ao mercado. "São Paulo é o mercado mais importante do País e a Lei 11.228, de incentivo à energia solar, já influencia outras capitais. "
Salvador e Rio estudam projetos de incentivo à energia solar. "Há cerca de 40 cidades em todo o País com projetos de lei nesse campo", diz Faria. Em países como Espanha e Alemanha, os incentivos vão além: o governo subsidia 50% do valor dos equipamentos."
A Transsen, de Birigui (SP), vai investir R$ 10 milhões nos próximos três anos no desenvolvimento de tecnologias para o setor. Só no primeiro semestre deste ano as vendas da empresa aumentaram 20%. "Esse mercado está aquecido e tem potencial de crescimento. Esperamos um salto nas vendas em 2008", diz Edson Pereira, vice-presidente da Transsen. "Hoje temos, no Brasil, 1,5 m2 de painéis solares para cada grupo de 100 habitantes. Países como Israel tem 67 m2 por cada 100 habitantes. Faltava incentivo."
Outra fabricante que vem se preparando para o aumento dos pedidos é a Heliotek, de Barueri. A empresa espera fechar 2007 com crescimento de 30% nas vendas. "Para 2008 esse salto será mantido. O aquecimento solar está na moda, por questões de economia energética e de ecologia", diz Jayme Sillos, gerente de vendas da Heliotek.
Hoje existem cerca de 120 fabricantes de equipamentos para aquecimento solar no País e cerca de 2,5 mil revendas e instaladoras. "O apagão de 2001 contribuiu para tornar a tecnologia mais conhecida da população", observa Sillos.
OESP, 26/08/2007, Economia, p. B11
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