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Governo revê política de captações para projeto de conservação

Valor Econômico, Caderno Especial, p. F3
09 de Out de 2014

Governo revê política de captações para projeto de conservação

Por Liana Melo | Do Rio

O Brasil, que um dia já foi tradicional receptor de recursos para projetos de conservação ambiental, mudou de lado e entrou para o rol dos países doadores. A mudança de status obrigou o Ministério do Meio Ambiente (MMA) a rever sua política de captação financeira para o maior projeto de conservação da biodiversidade de florestas tropicais do mundo: o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). A meta é preservar 60 milhões de hectares desse patrimônio natural, o equivalente a cerca de duas vezes o tamanho do Estado de São Paulo.
O novo arranjo financeiro é baseado em parcerias público-privadas. O modelo de captação foi lançado em maio. Não é de hoje que a União Europeia tem sinalizado que o Brasil não é mais merecedor de recursos a fundo perdido. Após o aprofundamento da crise na região, a prioridade passou a ser o continente africano, assolado pela fome e por doenças endêmicas.
O governo da Alemanha é uma exceção. O país continua sendo um importante parceiro em projetos de cooperação bilateral.
O Fundo de Transição, arquitetado pelo MMA, nasceu ajustado ao novo cenário mundial. Ele foi criado para bancar a terceira e última fase do Arpa. Seus recursos somam US$ 215 milhões e o objetivo, segundo Sérgio Henrique Collaço de Carvalho, diretor de áreas protegidas da Secretaria de Biodiversidade e Florestas, do MMA, é fazer uma "passagem suave" para o custeio integral das Unidades de Conservação (UCs).
Ciente de que não existe almoço grátis, o governo quebrou um paradigma importante: criou um modelo em que apresenta como contrapartida aos doadores o compromisso de financiar 100% do programa a partir de 2039.
Para garantir que o Arpa venha a se tornar autossustentado, o governo aumentará, anualmente, em torno de 3% o orçamento destinado à preservação das UCs nos próximos 25 anos.
Ao lado de doares tradicionais, como o próprio governo alemão - o maior doador individual, com 30 milhões de euros repassados pelo Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW, na sigla em alemão) -, o Fundo Amazônia e o Banco Mundial (Bird), os novos parceiros capitalistas são um conjunto de empresas e fundações americanas arregimentado pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).
A ONG ambientalista participa com US$ 55 milhões, dos quais US$ 9 milhões já foram desembolsados. "Não foi fácil atrair os recursos, mas a garantia do governo de que o programa se tornará autossustentado no futuro foi fundamental", comentou Mauro Armelin, superintendente de Conservação do WWF.
O Arpa foi criado em 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso. Coordenado pelo MMA e gerenciado financeiramente pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), o programa vem sendo bancado com recursos do Global Environment Facility (GEF, na sigla em inglês), por meio do Bird, do governo alemão e Fundo Amazônia, via BNDES.

Valor Econômico, 09/10/2014, Caderno Especial, p. F3

http://www.valor.com.br/agro/3727716/governo-reve-politica-de-captacoes…

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