VOLTAR

Governo reduz o uso, mas Cantareira volta a bater nível mais baixo da história

OESP, Metrópole, p. A12
07 de Mar de 2014

Governo reduz o uso, mas Cantareira volta a bater nível mais baixo da história

Fabio Leite/Pedro Venceslau

O remanejamento de água de outros sistemas, a diminuição da vazão do Cantareira, o aumento da chuva neste mês e o bônus de até 30%na conta para quem reduzir o consumo não impediram a queda constante do nível do principal manancial que abastece a Grande São Paulo nem afastou o risco de racionamento generalizado.
Ontem, o Cantareira chegou a 16% da capacidade, recorde negativo. Anunciada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) ontem para ser implementada a partir de segunda-feira, a diminuição em 10% da vazão de água captada pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no Cantareira, de 31 mil litros por segundo para 27,9 mil, já é adotada na prática desde o dia 1.o. Ontem, por exemplo, a retirada estava em 25,6 mil litros por segundo. A medida foi recomendada na semana passada pelo comitê anticrise que monitora o Cantareira e determinada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e pelo Departamento de Água e Energia Elétrica (DAEE), órgãos gestores do manancial, para evitar o colapso do sistema. Para a região de Campinas, atendida pelas bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), a redução foi de 4 mil litros para 3 mil litros por segundo. Segundo o governador Geraldo Alckmin (PSDB), o racionamento está descartado no momento porque a redução será compensada com o remanejamento de água das bacias do Alto Tietê, na região de Suzano, e da Guarapiranga, zona sul da capital. As duas bacias estão com 38,3% e 69% da capacidade, respectivamente. Na prática, a medida está em curso desde janeiro, quando mais de 1,6 milhão de pessoas deixaram de receber água do Cantareira. O número deve subir agora para 2 milhões. "Como o sistema tem uma parte integrada, você reduz o Cantareira e aumenta o abastecimento pelos outros sistemas. Nós cumpriremos rigorosamente os 27,9 mil litros por segundo e não há necessidade de racionamento porque temos o sistema de compensação e uma boa economia", disse Alckmin. Embora o governo negue enfaticamente que o racionamento será necessário, esse cenário está sendo tratado reserva da mente como uma hipótese caso não chova até domingo. A avaliação de técnicos é de que a estratégia de pegar água "emprestada" de outros reservatórios é tecnicamente limitada. Nos cinco primeiros dias de março já choveu 25% da média histórica mensal, segundo a Sabesp, e mesmo assim os níveis dos reservatórios mantêm queda. No dia 1.o de março estava em 16,6% e o comitê anticrise estimava ontem redução para 15,9%.Para a companhia, no entanto, sem a redução da vazão e o remanejamento de água, o Cantareira poderia estar ainda mais seco. Outra medida da Sabesp para racionamento foi a adoção bônus para quem reduzir o consumo em ao menos 20%. Segundo a empresa, os bons resultados da medida possibilitaram a redução da vazão, evitando o racionamento imediato. O plano diminuiu a demanda em 2,4 mil litros por segundo. "O governo determinou que se esgotassem todas as alternativas para que não se aplicasse uma medida que penaliza a população", disse o secretário de Saneamento e Recursos Hídricos, Edson Giriboni. / COLABOROU RICARDO BRANDT

MEDIDAS PARA EVITAR O RACIONAMENTO

Em 30 de janeiro, a Sabesp começou a remanejar água do Alto Tietê para 1,6 milhão.

Em 1o de fevereiro, entrou em vigor o bônus com desconto na conta de água para quem reduzir em 20% o consumo médio.

No dia 7 do mesmo mês, a Sabesp contratou uma empresa para induzir chuvas artificiais, com uso de um avião.

No dia 28, empresa anunciou compra de bombas para uso do volume morto da Cantareira.

Risco imediato de corte fica afastado, dizem especialistas.
Para coordenador de consórcio, redução na vazão poderia ser ainda maior; professor sugere multar quem desperdiça.

Gabriela Vieira - O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Na avaliação de especialistas do setor, o redirecionamento de parte do abastecimento na Grande São Paulo será eficiente em afastar um risco imediato de corte no abastecimento. "O sistema de abastecimento de São Paulo é, quase todo, interligado, o que permite essa troca. Como na região do Sistema Alto Tietê tem aparentemente chovido mais, tudo indica que a empresa vai compensar essa redução de retirada de água do sistema equivalente (Sistema Cantareira) com o Tietê", explicou José Cezar Saad, coordenador de projetos do Consórcio PCJ, entidade que representa as demais cidades que dividem a outorga do Sistema Cantareira com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
"Com isso, o impacto desse corte sobre o abastecimento de água na Grande São Paulo não deve ser muito grande", completou. Ainda de acordo com Saad, a redução na vazão de captação ficou abaixo do esperado pelo Consórcio, que pede para que o volume de retirada da Sabesp fique limitado à vazão primária estabelecida pela outorga, de 24,8 metros cúbicos por segundo.
Para o professor do departamento de Engenharia Hidráulica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Rubem Porto, a Sabesp ainda teria uma alternativa antes de adotar um rodízio no abastecimento de água. "Além do bônus para quem economiza, a empresa pode instituir um sistema de multas para os consumidores que excederem o gasto. De forma geral, o racionamento é sempre a última medida da qual se lança mão."
Impacto financeiro. O redirecionamento de parte do abastecimento afasta o risco de um racionamento imediato, mas eleva os custos com energia elétrica, uma vez que a concessionária terá de bombear águas de sistemas mais distantes. No primeiro trimestre do ano passado, a Sabesp teve uma despesa de R$ 145 milhões com energia elétrica.
No entanto, apesar do investimento emergencial e do aumento dos gastos com energia elétrica, o principal temor dos analistas continua a ser a possibilidade de um racionamento. Segundo as estimativas do mercado, um corte no abastecimento de água provocaria um impacto negativo sobre o resultado da Sabesp superior ao das medidas adotadas até então.
Procurados pelo Broadcast Político, serviço do Grupo Estado, os analistas Francisco Navarrete, Tatiane Shibata e Arthur Pereira, do Brasil Plural, calculam uma queda de 11% a 38% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da concessionária em 2014 no caso de um racionamento.

OESP, 07/03/2014, Metrópole, p. A12

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,risco-imediato-de-corte-fica…

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.