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Governo quer São Paulo sem sacolinhas até 2012

OESP, Vida, p. A16
10 de Mai de 2011

Governo quer São Paulo sem sacolinhas até 2012
Alckmin assina protocolo com supermercados para retirar de circulação sacolas plásticas derivadas de petróleo

Andrea Vialli

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), assinou ontem um protocolo de intenções com a Associação Paulista de Supermercados (Apas) para retirar de circulação até 2012 as sacolas plásticas descartáveis derivadas do petróleo. Pelo acordo, voluntário, os supermercados deixam de fornecer as sacolas gratuitamente e passam a oferecer outras alternativas para o transporte das compras.
O objetivo da medida é tirar de circulação cerca de 2,5 bilhões de sacolinhas que hoje são distribuídas mensalmente em todo o Estado. Muitas são descartadas de maneira incorreta e acabam entupindo bueiros e dificultando a drenagem urbana, agravando o problema de enchentes. Também são danosas à vida marinha, pois podem ser engolidas por animais ou asfixiá-los.
"Não é obrigatório. Queremos estimular uma cultura de sustentabilidade nos supermercados", disse Alckmin, após assinar o protocolo, na abertura do 27. Congresso de Gestão e Feira Internacional de Negócios em Supermercados, na capital. Os donos de supermercados agora terão seis meses para fazer campanhas de estímulo à mudança de hábito do consumidor.
Na prática, os lojistas deverão incentivar alternativas como o uso de sacolas retornáveis, carrinhos de feira e caixas de papelão para o transporte das compras. Se optar pela sacola descartável, o consumidor terá de pagar pela versão biodegradável, feita de amido de milho, que estará disponível para vendas nos supermercados por cerca de R$ 0,20.
Segundo o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas, a medida propõe uma mudança de atitude. "Esperamos uma grande adesão. Em Jundiaí, que já tomou essa iniciativa, no primeiro mês houve a adesão de 75% dos consumidores. A própria população cobrou dos supermercados que ficaram de fora e, hoje, 95% das pessoas aderiram", disse. Em oito meses, segundo Covas, 480 toneladas de plástico deixaram de ir para os aterros.
Reação. A restrição do uso das sacolas desagradou aos trabalhadores da indústria química e dos plásticos. Manifestantes receberam o governador Geraldo Alckmin, na abertura do congresso, com faixas e cartazes em que criticavam a medida.
Segundo Lourival Pereira, coordenador de saúde e meio ambiente do Sindicato dos Trabalhadores Químicos e Plásticos de São Paulo e Região, o fim das sacolas pode resultar na perda de 20 mil empregos só na Grande São Paulo. "Elegeram a sacola plástica como a vilã ambiental. Não é verdade: a sacola pode ser recolhida e reciclada." Para ele, a medida penaliza o consumidor, que terá de pagar por sacos para dispor o lixo. "A questão ambiental está sendo usada como fachada para reduzir os custos dos grandes supermercados."

Guerra ao plástico
59 sacolas por mês é quanto cada paulista leva para casa
R$ 11 é o gasto que o consumidor terá por mês com a compra de sacola biodegradável, diz o sindicato

OESP, 10/05/2011, Vida, p. A16

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110510/not_imp717089,0.php

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