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Governo quer que STF proíba importação de pneus usados

OESP, Vida, p. A38
28 de Jun de 2008

Governo quer que STF proíba importação de pneus usados
Posição do executivo, antes ambígua, foi comunicada por Carlos Minc

Felipe Recondo

O governo fincou posição contra a importação de pneus usados em audiência pública realizada ontem no Supremo Tribunal Federal (STF). A posição, que antes era dúbia e preocupava o Itamaraty, foi marcada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc: o governo é terminantemente contra a importação de pneus usados.

"Esse é um dos casos raros em que há unanimidade entre as áreas da saúde, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e da própria indústria", afirmou ontem o ministro. "O pneu usado é um pré-lixo e o ônus da destinação final deles é nosso. E esses pneus vão para os lixões, são queimados, convertem-se em piscinas para os mosquitos da dengue", acrescentou.

Pelos dados expostos pelo ministro na audiência, as empresas do setor deveriam, nos anos de 2002 a 2007, ter conseguido dar uma destinação adequada a 2,6 milhões de toneladas de pneus. Não cumpriram nem a metade: apenas 1,1 milhão de tonelada foi corretamente descartada pelos fabricantes no período.

Nesse contexto, permitir a importação seria agravar essa situação. "Nós nos tornaríamos importadores de passivos ambientais, quando sequer damos conta do nosso próprio lixo", afirmou Minc.

SETOR PRIVADO

A disputa que envolve a importação de pneus usados chegou ao Supremo Tribunal Federal em 2006 por iniciativa do próprio governo.

Desde 1991, o governo editou normas para proibir a importação de pneus usados, com exceção dos exportados por países do Mercosul - aproximadamente 500 mil unidades por ano.

No entanto, mesmo com essas regras em vigor, as empresas conseguem liminares na Justiça para continuar importando o material de qualquer país. Por causa desse tratamento desigual, gerado pelas decisões judiciais, a Organização Mundial do Comércio (OMC) chegou a alertar o governo de que o Brasil poderia sofrer retaliações dos países da União Européia, que também estão interessados em exportar para o Brasil seus pneus usados.

Por isso, o governo ajuizou há dois anos a ação - a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental 101, relatada pela ministra Cármen Lúcia - para estancar a concessão de liminares e julgar constitucional a proibição imposta às empresas.

Na ação, um dos argumentos usados pelo governo é que a vedação à importação de pneus tem como objetivo proteger o meio ambiente e a saúde pública no País, o que estaria embasado pela Constituição.

OESP, 28/06/2008, Vida, p. A38

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