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Governo quer aproveitar gasolina mais cara para estimular produção de etanol

OESP, Economia, p. B1
16 de Jan de 2013

Governo quer aproveitar gasolina mais cara para estimular produção de etanol
Além de melhorar a situação de caixa da Petrobrás, reajuste pode incentivar produtor de cana-de-açúcar a investir mais no biocombustível

João Villaverde,

BRASÍLIA - O reajuste do preço da gasolina pode ajudar o mercado de etanol. No entender do governo federal, além de melhorar a situação de caixa da Petrobrás, uma gasolina mais cara torna o biocombustível mais atraente para o consumidor. Um aumento na demanda pode estimular novos investimentos no setor.
Desde 2005, o preço da gasolina tem se mantido praticamente constante no Brasil, enquanto o etanol, que tem cotação livre, ficou mais caro. Essa situação, segundo o próprio governo, acabou gerando migração do consumo de combustível para a gasolina, em detrimento do etanol.
O reajuste preparado pelo governo - de 7% para a gasolina e até 5% para o óleo diesel -, além de devolver parte da competitividade ao etanol, também serviria para reduzir as importações de gasolina, que têm afetado a balança comercial. Diante do aumento do consumo, a Petrobrás tem elevado fortemente a compra do combustível no exterior.
No ano passado, segundo dados preliminares do governo, o consumo de combustíveis cresceu 6,3%, ritmo muito superior ao do Produto Interno Bruto (PIB), próximo a 1%. O movimento foi puxado basicamente pelo querosene de aviação e pela gasolina, refletindo o menor interesse de motoristas em abastecer com etanol. Neste ano, o governo prevê aumento de 5% no consumo de combustíveis.
Teto. Além de tentar puxar a demanda por etanol, o governo também acredita que a elevação do teto da mistura de álcool na gasolina pode fazer com que os usineiros voltem a investir e dediquem parte da produção para o mercado de álcool combustível. Com a redução da demanda nos últimos anos, muitas usinas passaram a produzir mais açúcar, incentivados pela alta dos preços da commodity.
A ideia do governo é elevar de 20% para 25% o teto da mistura. A medida só entraria em prática, entretanto, em junho, quando a colheita da safra de cana-de-açúcar está em seu auge. Técnicos acreditam que a sinalização da medida agora pode ajudar os usineiros a planejarem uma maior produção de etanol para o ano.
Impostos. Benefícios tributários para o setor também estão em análise. Na visão do governo, as usinas de cana-de-açúcar operam com custos altos e margens apertadas. Setores da Esplanada dos Ministérios defendem a redução do PIS/Cofins cobrado das usinas, mesmo sabendo que esse estímulo provavelmente vai apenas melhorar a remuneração do produtor e não necessariamente será repassado aos preços.
As usinas recolhem cerca de R$ 3,5 bilhões em PIS/Cofins por ano à Receita Federal, e o governo estuda abrir mão de até um terço dessa arrecadação.
Um dos objetivos do governo é diminuir a volatilidade dos preços do etanol ao longo do ano de acordo com a safra e entressafra. A ideia é estabelecer uma forma de fazer com que haja produção de álcool com oferta constante. Por isso, o governo liberou uma linha de financiamento específica do BNDES para aumentar a produtividade do setor.
Esse crédito foi renovado até o fim do ano. Estavam previstos R$ 4 bilhões no ano passado, mas apenas R$ 1,4 bilhão foi emprestado. O governo flexibilizou o acesso à linha, para incentivar ainda mais a liberação de recursos: o produtor não é mais obrigado a dizer ao banco se já tomou recursos de outras partes, como era antes. / COLABOROU CÉLIA FROUFE

OESP, 16/01/2013, Economia, p. B1

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