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Governo quer adoção de novas regras no banco para viabilizar Ferrogrão

Valor Econômico, Brasil, p. A3
24 de nov de 2017

Governo quer adoção de novas regras no banco para viabilizar Ferrogrão

Cristiano Zaia

O governo defende novas regras de financiamento do BNDES para atrair mais tradings e investidores e viabilizar investimento de R$ 12,6 bilhões necessário para erguer a Ferrogrão, ferrovia que ligará Sinop (MT) a Miritituba (PA).
As tradings ADM, Bunge, Cargil, Louis Dreyfus e Amaggi já acertaram a participação em um consórcio para operar o novo modal ferroviário, de 933 quilômetros, por 65 anos.
A estratégia envolve aumentar de cinco para sete anos o prazo de carência para que os investidores comecem a pagar o financiamento e esticar de 20 para até 30 anos o prazo de pagamento. Pela minuta do edital, o BNDES vai financiar 80% do investimento estimado para tirar o projeto do papel.
De acordo com Tarcísio de Freitas, secretário de Coordenação de Projetos do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), a ideia é que essas mudanças sejam incorporadas ao edital de licitação, que deverá ser lançado no segundo semestre de 2018. "Já estamos conversando com fundos de investimento nacionais e chineses e tem espaço para mais tradings, construtoras e investidores", disse Freitas.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) terá quatro meses para avaliar as sugestões e discutir o projeto da ferrovia com o Tribunal de Contas da União (TCU), o que pode levar mais de seis meses. No momento, o projeto prevê taxa de retorno de 10,6% ao ano. As obras devem começar por volta de 2020 e durar cinco anos. Estão previstos R$ 400 milhões em compensações ambientais, que seriam responsabilidade do consórcio empreendedor. O Tesouro cobriria eventuais necessidades adicionais de recursos.
Questionado sobre o modelo de financiamento da ferrovia, o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, não garantiu que as mudanças nas condições de pagamento já estejam em curso, mas defendeu que o banco faça ajustes em custos financeiros da operação da Ferrogrão. Ele descarta a entrada do banco como sócio da concessão, por meio do BNDES-Par.
Além de o BNDES financiar cerca de R$ 10 bilhões para viabilizar a ferrovia, Rabello de Castro defende a criação de um fundo alimentado por recebíveis de produtores e empresas da cadeia do agronegócio, como Cédulas do Produtor Rural (CPR), para levantar cerca de R$ 2 bilhões. "O BNDES poderia comprar recebíveis de 20 anos de produtores, e isso faria dele um acionista minoritário na Ferrogrão."
Apesar do otimismo do governo e do empenho das tradings em concretizar o empreendimento, alas do setor do agronegócio de Mato Grosso e até do setor ferroviário veem as metas estipuladas com ceticismo.
"Precisamos de ferrovias, mas estudos ainda têm que ser feitos e nada sai se dependermos da morosidade do governo federal", advertiu Endrigo Dalcin, presidente da Aprosoja-MT, que representa os produtores de soja e milho do Estado.
Júlio Fontana, presidente da Rumo Logística, diz que a empresa até poderia se associar a outros investidores, ou disputar um leilão de concessão da Ferrogrão, mas nesse momento descarta a hipótese.
"A Ferrogrão não fica pronta em menos de dez anos e não é um projeto interessante para a Rumo."
O repórter viajou a convite da Prefeitura de Nova Mutum (MT)

Valor Econômico, 24/11/2017, Brasil, p. A3

http://www.valor.com.br/brasil/5204753/governo-quer-adocao-de-novas-reg…

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