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Governo não quer nova crise do etanol

OESP, Economia, p. B4
07 de Jun de 2011

Governo não quer nova crise do etanol
Dilma pede que sejam levantados dados sobre o setor sucroalcooleiro para planejar investimentos e evitar falta do combustível

Renée Pereira

A paralisia nos investimentos do setor sucroalcooleiro e o medo de uma crise de abastecimento no País provocaram uma correria no governo federal para reverter o quadro. Além de financiamento específico para retomar a expansão da produção e a criação de uma política setorial, a presidente Dilma Rousseff pediu urgência na elaboração de um plano decenal para o setor.
Ela quer saber qual a demanda para os próximos anos, expectativa de oferta, volume de investimentos e consumo. A notícia foi dada pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, durante o evento Ethanol Summit 2011, em São Paulo. "Os técnicos do governo já estão debruçados para levantar todos os dados e apresentar o estudo. Com isso, poderemos alcançar um ciclo virtuoso."
O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues acredita que a decisão vai criar grandes oportunidades de investimentos no País. "Hoje não existe estratégia para o setor. Os americanos já sabem quanto vão consumir de combustível nos próximos 20 anos. Nós não sabemos qual será o consumo no ano que vem."
O apoio à retomada de investimentos para o setor também veio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa do presidente da instituição, Luciano Coutinho, é financiar algo em torno de R$ 8 bilhões em projetos de renovação de canaviais e ampliação de usinas.
Nos próximos quatro anos (incluindo 2011), a previsão é liberar algo em torno de R$ 30 bilhões ou R$ 35 bilhões para o setor. "Essa é uma agenda viável e factível. Os investidores terão todo o apoio do governo."
As medidas também virão acompanhadas de um novo marco regulatório, que está sendo preparado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo o presidente da agência, a primeira medida deverá entrar em audiência pública nos próximos 15 dias e vai tratar dos riscos de abastecimento.
Essa regulamentação, no entanto, tem causado arrepios nos usineiros, que temem a volta do controle do Estado. Lima não quis antecipar quais serão as medidas divulgadas.
O governo do Estado de São Paulo também deu sua contribuição ao setor. Ontem, durante o evento, o governador Geraldo Alckmin anunciou a desoneração de ICMS na compra de máquinas e equipamentos para geração de energia elétrica com biomassa. "São Paulo tem um potencial enorme de bioeletricidade e muitas usinas não estão preparadas para produzir energia. A medida pode ter reflexo também nos investimentos em expansão de etanol e açúcar, já que o retorno da energia elétrica vai melhorar o fluxo de caixa das empresas", avalia o presidente da ETH Bioenergia, José Carlos Grubisich. A expectativa é que a desoneração reduza entre 8% e 12% o custo de investimentos na área.
Apesar das iniciativas e da pressa do governo, o setor deve continuar com problemas de oferta no curto prazo. Segundo o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, esse início de safra já tem 2 milhões de toneladas a menos que o projetado.
"A seca entre abril e setembro do ano passado afetou a área plantada. A cana está subdesenvolvida e com ATR (quantidade de açúcar disponível na cana) aquém do previsto." Por causa da quantidade menor de açúcar, um volume maior de cana foi destinado para a produção de etanol. O problema é que a venda de carros flex está maior que o avanço da produção do combustível.

OESP, 07/06/2011, Economia, p. B4

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110607/not_imp728867,0.php

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