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Governo já pode começar obras de Angra 3

OESP, Economia, p. B5
01 de Jun de 2010

Governo já pode começar obras de Angra 3
Licença da Comissão Nacional de Energia Nuclear permite início da construção do prédio do reator; operação da usina só deve começar em 2015 ou 2016

Mônica Ciarelli e Wellington Bahnemann

A construção da Usina de Angra 3, projeto engavetado há 35 anos, vai começar a sair do papel ainda no governo Lula. Ontem, a Eletronuclear obteve da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) a licença de construção, que permite o início das obras do prédio do reator. A previsão para a operação da usina, porém, é entre 2015 e início de 2016. "Esse é o marco zero do projeto", afirmou o presidente da CNEN, Odair Dias Gonçalves.

O projeto de Angra 3 foi elaborado durante a assinatura do acordo nuclear Brasil-Alemanha. Na época, o governo brasileiro comprou equipamentos para construir as usinas de Angra 2 e Angra 3. Os materiais, que chegaram ao Brasil ainda na década de 70, continuam armazenados. Em 1984, a Eletronuclear chegou a retomar o projeto de Angra 3, mas as obras de preparação do terreno foram interrompidas dois anos depois.

Para Gonçalves, o fato de as duas usinas terem projetos semelhantes acelerou o trabalho de licenciamento. Além disso, permitiu redução significativa nos custos, que ficaram em torno de 20% do valor do licenciamento de nova usina nuclear, que gira em torno de US$ 100 milhões.

A licença foi liberada pela CNEN com 30 condicionantes. A maior parte são adaptações que permitam ao projeto de Angra 3 segurança semelhante ou maior do que a de Angra 2. Um exemplo é a exigência de maior detalhamento sobre sísmica, em razão do recente abalo no Chile, sentido no litoral de São Paulo. O superintendente de Gerenciamento de Empreendimentos da Eletronuclear, Luiz Manuel Messias, espera iniciar até o fim desta semana a concretagem do prédio onde será instalado o reator.

Segundo Messias, à medida que as exigências forem cumpridas pela Eletronuclear, a CNEN concede outras autorizações para a execução das obras da usina, que terá 1,4 mil MW de potência. "A partir de agora, não existe nenhum impedimento legal às obras do projeto", comemorou.

A Eletronuclear previa o início da construção de Angra 3 em 2009, mas a dificuldade de obter as licenças alterou o cronograma. Além da demora da autorização da CNEN, a estatal enfrentou problemas para conseguir a licença do uso do solo pela prefeitura de Angra dos Reis, onde está localizado o complexo nuclear.

Outro ponto que provocou atraso foi a discussão com o Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o valor do contrato original, firmado com a Andrade Gutierrez em 1983. O acordo com o TCU, que reduziu em R$ 120 milhões o valor do contrato, para R$ 1,3 bilhão, foi concluído em novembro de 2009.

Licenças. A licença de construção não é a última que a Eletronuclear precisava para tocar o projeto. A usina ainda precisa da licença de uso de material radioativo, da licença prévia e da licença permanente. "Essas licenças serão obtidas entre o fim de 2014 e 2015", disse Messias. A previsão de investimentos em Angra 3 gira em torno de R$ 9 bilhões. Para este ano, a expectativa é gastar R$ 800 milhões no projeto.

Para o presidente do CNEN, a licença de Angra 3 é um marco na história do programa nuclear brasileiro. Para Gonçalves, independentemente do resultado das eleições, o programa é "irreversível".

Há 53 usinas nucleares em construção no mundo

A construção de Angra 3 faz parte de uma tendência mundial de retomada de usinas nucleares. Segundo dados da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), 53 centrais nucleares estão sendo levantadas mundo afora, com capacidade para 47 mil megawatts (MW) de energia - equivalente a mais de três usinas de Itaipu. Além disso, há mais 135 unidades em projeto.

No Brasil, além de Angra 3, o governo prevê a construção de até oito unidades. As usinas, no entanto, não constam do Plano Decenal de Energia 2019. Ou seja, essas usinas não entrariam em operação até essa data.

Na avaliação do consultor em energia elétrica, Abel Holtz, as centrais nucleares podem ser mais baratas comparadas a algumas usinas, como a Hidrelétrica de Belo Monte (PA), que custará quase R$ 20 bilhões e vai gerar apenas 40% da energia potencial. Além disso, essas usinas estão próximas dos grandes centros consumidores. Portanto, o custo de transmissão na tarifa tende a ser bem menor.

OESP, 01/06/2010, Economia, p. B5

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100601/not_imp559763,0.php

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100601/not_imp559764,0.php

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