Folha de Boa Vista - http://www.folhabv.com.br/
30 de Mar de 2010
Comunidades indígenas de todas as etnias receberão do governo neste ano investimentos da ordem de R$ 2,5 milhões, já disponibilizados em orçamento. Os recursos serão empregados na formulação e execução de políticas públicas de etnodesenvolvimento.
"A ênfase das ações está voltada especificamente para o setor produtivo", ressalta o governador José de Anchieta, ao observar que a Secretaria Estadual do Índio (SEI) busca dotar o índio das ferramentas necessárias para dar curso à vida independentemente do assistencialismo público usando, para isso, a transferência de tecnologias.
O trabalho do Estado desenvolvido junto às reservas indígenas é feito em comum acordo com as organizações representativas e órgãos que tratam da política indigenista como a Funai (Fundação Nacional Índio), Funasa (Fundação Nacional da Saúde) e Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias).
Na área de produção agrícola, o governo presta às organizações indígenas assistência técnica através de técnicos agropecuários, noções de socialização, transferência de tecnologias - como operar um trator, por exemplo - e o etnoconhecimento buscando aprimorar, de forma técnica, os conhecimentos da própria etnia, visando à otimização da produção.
Além do conhecimento técnico e fornecimento de sementes de grãos como milho e feijão, o programa intitulado Makunaima distribui aos índios implementos em geral, como tratores, enxadas, terçados, foices, telhas, cimento, arame e barcos, entre outros.
O item mais importante da produção agrícola nas comunidades indígenas ainda é o feijão. Na comunidade do Flexal, localizada em Uiramutã, a especialidade cultivada é o jaulão, com cerca de vinte hectares de área plantada.
O cultivo do feijão jaulão vem de alguns anos. A produção, que é de cerca de 800 quilos por hectare, supre o consumo interno e gera excedente, comercializado nas comunidades indígenas de seu entorno e nas cidades de Uiramutã e Pacaraima.
Nas demais comunidades distribuídas por todo o Estado, em torno de 400, o plantio de feijão tipo caupi é o que predomina. A SEI não tem um levantamento específico, mas acredita que é plantada em cada uma das comunidades uma média de três hectares de feijão. Além de feijão, são plantadas outras culturas, com predominância para o milho.
O projeto Chuva na Roça é responsável por esse setor. Abrange a pesquisa realizada na área de plantio por técnicos da SEI e da Embrapa visando a estabelecer as culturas que mais se adaptam à área.
A partir daí, dá-se início ao processo de irrigação de áreas de um a cinco hectares, para o plantio de consórcios de mandioca, milho e feijão, entre outras culturas. Este ano está prevista a distribuição de algo em torno de 100 toneladas de adubos para as comunidades.
SOCIAL - O governo desenvolve nas diversas reservas indígenas demarcadas uma extensa gama de serviços sociais, que abrangem os setores de saúde, educação, transporte, lazer, entre outros. Os indígenas recebem o mesmo Vale Solidário pago às populações não-índias.
As comunidades indígenas são beneficiadas com constantes trabalhos de infraestrutura, como a recuperação de estradas, enquanto que as crianças dispõem de transporte, merenda, fardamento e kit escolar igual ao distribuído aos alunos das demais escolas estaduais não-indígenas, entre outros benefícios.
"O tratamento dispensado aos indígenas é igual ao dado aos não-índios, porque entendemos que os índios são tão roraimenses quanto às demais pessoas", destaca o governador José de Anchieta, lembrando que o Estado garante a geração de energia nas comunidades, onde são empregados em média 60 mil litros de óleo diesel ao mês.
As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.