Diário de Cuiabá-Cuiabá-MT
17 de Mar de 2004
O cultivo de milho, banana, arroz e mandioca, entre outras culturas, em aldeias indígenas, apresentam mudanças significativas no campo. O Governo do Estado, através da Casa Civil, está executando vários programas de apoio à agricultura criando alternativas econômicas nas aldeias indígenas do Estado. As nações xavante, umutina, pareci, bororo e grupos do Parque Nacional Indígena do Xingu começam a ser beneficiados com as culturas de subsistências, não só gerando renda, mas melhorando a qualidade de vida.
O apoio e a assistência técnica estão partindo das secretarias, onde um grupo de trabalho coordenado pela Superintendência de Política Indigenista implementou uma política efetiva no Estado, em contrapartida às ações casuais praticadas anteriormente.
"Instalamos um modelo de discussão nas aldeias e mantemos diálogo permanente com os índios, respeitando sua cultura e tradição", disse o superintendente ouvidor de Política Indígena, Idevar José Sardinha.
Em Primavera do Leste (a 231 km de Cuiabá), na Reserva Indígena Sangradouro, os xavantes estão cultivando, numa área de 250 hectares, arroz e mandioca, além de pomar para abastecer a comunidade. Desenvolvida em parceria com a prefeitura, a iniciativa, explica Sardinha, partiu dos próprios índios que querem tão somente apoio e assistência técnica.
"Os projetos estão vindo deles (os índios). Eles precisam apenas de apoio e acompanhamento", informou o indigenista, que já foi administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Cuiabá.
A exemplo de Primavera do Leste, os xavantes em Santo Antônio do Leste (a 379 km de Cuiabá) estão desenvolvendo dois projetos de parceria agrícola: um na aldeia Água Limpa e o outro na aldeia Chão Preto.
Na primeira, os índios estão explorando de forma sustentável cultivares em 100 hectares. E na segunda 150 hectares estão sendo utilizados para o cultivo de mandioca, milho e pomar, entre outras culturas. "Além da subsistência, o excedente da produção pode ser comercializado pelos índios, gerando renda para as aldeias", comentou Sardinha
De acordo com Sardinha, o Governo do está trabalhando dentro do que compete ao Estado, tendo em vista que a questão indígena é uma atribuição do Governo Federal, especificamente da Fundação Nacional do Índio (Funai).
"Nosso objetivo é trabalhar em parceria com o Governo Federal, Prefeituras e demais instituições organizadas da sociedade. No primeiro momento a gente trabalha com os municípios e a sociedade envolvida", frisou o superintendente ouvidor de Política Indígena.
PARQUE DO XINGU
Em parceria com prefeituras e instituições de ensino, o Governo do Estado está implantando, no Parque Nacional Indígena do Xingu, uma estação ambiental, que é um centro de referência para pesquisas. A estação está localizada próxima à nascente do rio Tanguro, no município de Querência (a 944 km de Cuiabá).
No local, informou o geólogo José Seixas da Silva, responsável pelos projetos especiais e sustentabilidade da Superintendência de Política Indigenista, as comunidades indígenas kalapalo, kuikuro, waurrá, kamaiwrá e yalapíti, com projetos de alternativa econômica. Segundo o geólogo, foram levadas para o local 1,2 mil mudas frutíferas, entre as quais laranja, pitanga, manga e acerola.
"Serão formados dois hectares de pomar e já existe pedido para 10 aldeias. O objetivo é levar os projetos para todo o Xingu", disse Seixas, informando que serão implatados também seis tanques de piscicultura com alevinos da região.
Além da Casa Civil, o modelo de política indígena implantado pelo governador Blairo Maggi envolve as secretarias de Saúde, Educação, Transportes, Agricultura e a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer). Atualmente, os índios ocupam 17% do território mato-grossense, divididos em 67 reservas, somando uma população superior a 30 mil pessoas.
"É um trabalho abrangente que está melhorando a qualidade de vida dos índios", afirmou Arnaldo Borges Filho, responsável pela área de saúde indígena na Superintendência de Política Indigenista, ligada à Casa Civil.
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