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Governo estuda abater imposto de Belo Monte

OESP, Economia, p. B6
10 de Abr de 2010

Governo estuda abater imposto de Belo Monte
Consórcio da Andrade Gutierrez pede desconto de 75% no imposto de renda da usina, e o governo deve conceder o benefício

Gerusa Marques de Brasília

Para aumentar a atratividade do leilão da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA), o governo poderá garantir os mesmos incentivos fiscais dados às Hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira (RO). O pedido já foi encaminhado pelo consórcio liderado pela Construtora Andrade Gutierrez, o único até agora que já confirmou a participação na disputa.
As empresas, segundo um técnico do governo, querem ter direito a um desconto de 75% no Imposto de Renda, que valeria por um período de dez anos. O problema é que esse benefício para investimentos na Região Norte é válido para projetos protocolados até 31 de dezembro de 2013, antes, porém, de Belo Monte entrar em operação. Portanto, seria necessária uma prorrogação desse prazo, o que já recebeu um aceno positivo do governo.
Pela regra, o desconto de 75% só entra em vigor depois que a usina estiver produzindo pelo menos 20% de sua capacidade instalada. No caso de Belo Monte, esse porcentual, equivalente a 2.200 megawatts (MW), será alcançado apenas em 2016.
A previsão é que a hidrelétrica, que terá capacidade total de produzir 11 mil MW, entre em operação em 2015. A data de 2013 está prevista inicialmente na Medida Provisória 2199-14 de 2001 e ratificada pela Lei 11.196 de 2005.
Acréscimo na tarifa. A extensão do benefício à usina de Belo Monte é importante porque aliviaria o caixa das empresas que ganharem a concessão da hidrelétrica. Segundo técnicos do setor de energia, o desconto de 75% no IR representaria um acréscimo de 6% na tarifa-teto de Belo Monte, que foi definida pelo governo em R$ 83 por megawatt/hora produzido.
Ou seja, o MWh acabaria saindo para as produtoras da energia por R$ 87,98. Se o pedido for atendido, não haveria necessidade de se mexer no preço teto do leilão, mantendo íntegro o edital e o cronograma da licitação.
O pedido, segundo fontes ouvidas pela Agência Estado, não enfrenta resistências no governo, nem na área econômica, que estaria disposta a promover as mudanças necessárias para que o desconto possa ser aplicado também no caso de Belo Monte.
"O governo considera justo o pedido, porque outros empreendimentos da Região Norte já estão se beneficiando do desconto", afirmou uma fonte que participa das discussões.
O governo ainda está avaliando de que forma poderá ser feita essa prorrogação. Uma das opções seria a edição de uma medida provisória, mas há quem defenda que bastaria uma resolução da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
O governo estaria empenhado em evitar que o leilão se transforme em um "mico" porque Belo Monte é a principal obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que, por sua vez, é a mais importante bandeira da ex-ministra Dilma Rousseff, candidata à presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores.
O preço da tarifa de Belo Monte sempre foi um fator complicador. As empresas interessadas em participar do leilão vêm reclamando que o projeto não é economicamente viável e reivindicam um aumento no valor teto para o megawatt para compensar o alto risco da obra.
O preço inicial da tarifa para a energia gerada por Belo Monte foi previsto em R$ 68 e depois aumentado para R$ 83. No fim do mês passado, representantes das empresas interessadas em disputar o leilão pediram formalmente ao Ministério de Minas e Energia uma nova elevação no preço, sugerindo que fosse feita uma correção monetária na tarifa máxima, o que não foi atendido pelo governo.
A desistência anunciada pelas construtoras Camargo Corrêa e Odebrecht na última quarta-feira deu corpo às dificuldades já manifestadas pelas empresas quanto à viabilidade econômica do empreendimento. O governo tenta agora garantir a participação de pelo menos outros dois consórcios para disputar o leilão com o grupo formado pela Andrade Gutierrez, Vale Votorantim e Neoenergia, que já havia formalizado sua participação.
Convocação. Como revelou o Estado, o governo recrutou os fundos de pensão das estatais ? Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petros (Petrobrás) ? para reforçar a formação de consórcios com as empresas que se cadastraram para fazer parcerias com as subsidiárias da Eletrobrás. A formação desses consórcios está sendo mantida sob sigilo pelo governo. A expectativa era de que os nomes das empresas fossem divulgados na quarta-feira, mas a Eletrobrás deverá manter o suspense até o último minuto.
O prazo para o registro dos consórcios que disputarão o leilão na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vence às 18 horas da próxima quarta-feira, dia 14. A inscrição começa às 8 horas do dia 13, mas a previsão é que tudo será feito nos últimos minutos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, com ou sem consórcios de empresas privadas, a Usina de Belo Monte será construída. Lula mandou, na quinta-feira, um recado para as empresas, afirmando que ninguém vai impor o preço da energia ao governo.
O presidente ainda disse que não quer que os empresários tenham prejuízo, mas também não quer que o consumidor pague lucros exorbitantes.

OESP, 10/04/2010, Economia, p. B6

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