JB, Pais, p.A5
14 de Abr de 2004
Governo e ONG perderam dinheiro com doação de madeira
Levantamento do Ibama feito em 2002 calculou valor do material apreendido
Luiz Queiroz
BRASÍLIA - Levantamento feito por técnicos do Ibama em 2002 sobre a quantidade de mogno apreendido em Altamira (PA) e o seu valor de mercado mostra que tanto o governo quanto a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) perderam dinheiro ao destinarem o produto para beneficiamento e exportação pela Madeireira Cikel Brasil Verde.
De acordo com documento obtido pelo Jornal do Brasil, no segundo semestre de 2002 o Ibama fez uma avaliação do volume de mogno ilegal apreendido em Altamira e o valor correspondente no mercado. O trabalho serviria de base para o governo leiloar a madeira apreendida, no início do ano passado. Apenas as toras de mogno apreendidas nas florestas em Altamira (sem contar as apreendidas em serrarias e em balsas nos rios da região), num total de 7.283, que correspondem a 12.760m³ de madeira tratada, teriam um preço estimado pelos técnicos do Ibama em R$ 8,3 milhões no mercado interno. Se fossem exportadas, renderiam muito mais, pois o metro cúbico de mogno, no exterior, por se tratar de madeira nobre, chega a custar US$ 1.200. Neste caso, se tivesse exportado a madeira que apreendeu, o Ibama poderia ter obtido em torno de US$ 15,3 milhões (cerca de R$ 44 milhões).
Com a mudança de governo, porém, a nova direção do Ibama decidiu não mais leiloar e, sim, doar o produto para organizações não-governamentais. A Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase) foi agraciada com 6 mil toras de mogno de Altamira e, na revenda para a Madeireira Cikel Brasil Verde, alega ter apurado apenas R$ 7,9 milhões, que descontados os custos para retirada do produto, impostos e o tratamento na madeireira, renderam ao fim R$ 3 milhões.
Terça-feira, a ONG procurou o Jornal do Brasil para afirmar, em nota oficial, que não houve subavaliação do valor do lote doado pelo Ibama. Defendeu a madeireira que, ao que tudo indica, procedeu a avaliação e revendeu a madeira no mercado externo. Os valores apurados pelo grupo técnico do Ibama deixam dúvidas sobre as alegações da ONG, que por contrato com o Ibama assumiu o ônus de exportar o mogno e destinar os recursos recebidos para programas assistenciais na Região Amazônica.
JB, 14/04/2004, p. A5
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