VOLTAR

Governo: desmatamento tem tendencia de queda

O Globo, O Pais, p.12
27 de Ago de 2005

Governo: desmatamento tem tendência de queda
Sistema de monitoramento em tempo real afere índice menor do que o constatado na avaliação anterior
O governo divulgou ontem dados que indicam tendência de queda na taxa de desmatamento da Amazônia. De 24 de agosto de 2004 a 30 de julho de 2005, o sistema de monitoramento em tempo real (Deter) registrou um índice de desmatamento de 9.106 quilômetros quadrados. Em comparação ao último levantamento, feito entre 27 de agosto de 2003 e 29 de julho de 2004, a variação foi de menos 51,3%: no período anterior, a área desmatada foi de 18.724 quilômetros quadrados.
O próprio Ministério do Meio Ambiente alerta, no entanto, que não é possível afirmar que a destruição da floresta caiu à metade. Os dados divulgados ontem não são definitivos, pois se referem a um período de 11 meses e apenas a desmatamentos de áreas superiores a 65 hectares. Os resultados são do sistema Deter, cujo objetivo é monitorar desmatamentos em tempo real para agilizar a fiscalização.
Resultados finais só em dezembro
O nível efetivo de desmatamento da Amazônia este ano só será conhecido em dezembro, quando serão fechados os resultados do sistema Prodes, que afere a área real de desflorestamento e durante os 12 meses. No último levantamento pelo sistema Prodes, divulgado em maio, a área desmatada na Amazônia tinha aumentado muito mais do que esperava o governo. O desmatamento entre agosto de 2003 a agosto de 2004 atingiu (pelo Prodes) 26.130 quilômetros quadrados, 6% a mais que os 24.597 quilômetros quadrados registrados entre 2002 e 2003.
— A única certeza é que haverá uma queda importante (no índice real, a ser divulgado em dezembro). Não usamos esse número (de queda de 51,3%), porque não temos essa expectativa. Não podemos correr o risco de dar um número que poderá não ocorrer — disse o secretário de Biodiversidade e Floresta do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.
— Não estamos fazendo projeção de número, estamos apenas mostrando que a comparação de onze meses indica uma tendência de redução do desmatamento na Amazônia — reforçou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Multa por desmatar dobrou
O ministério atribui a redução da área desflorestada a ações do governo de combate ao desmatamento, entre medidas repressivas e criação de novas unidades de proteção. Ontem, o governo editou decreto aumentando a multa por desmatamento de R$1 mil para R$5 mil por hectare desmatado.
O Mato Grosso é o estado mais desmatado. Segundo o levantamento, o estado apresentou os mais baixos indicadores da redução do desmatamento. A maior redução ocorreu no Pará e no Tocantins. Marina Silva reconheceu que a situação do Mato Grosso é bastante complexa”, devido à grande quantidade de terra privada e a demora do governo do estado em aderir ao plano nacional de combate ao desmatamento.
— Estamos assinando convênios com o governo estadual para mudar isso — disse Marina.
Entre 2003 e 2005, o governo criou 8,477 milhões de hectares de áreas de conservação e a meta é criar mais 23,977 milhões de hectares até o final de 2006. A ministra admitiu que um recuo na agricultura decorrente da queda nos preços também pode ter contribuído para a redução do desmatamento.
— Seria muito reducionismo da nossa parte não considerar as ações do governo — disse Marina Silva.

WWF e Greenpeace: resultado positivo
ONGs dizem que ação do Estado foi decisiva
As organizações não-governamentais (ONGs) ambientalistas WWF-Brasil e Greenpeace comemoram a tendência de queda no desmatamento da Amazônia, mas alertaram que esse resultado deve servir de incentivo a ações permanentes do governo para conter o desflorestamento na região. As duas ONGs reconhecem que a presença do Estado na Amazônia contribuiu significativamente para a diminuição do desmatamento, mas o WWF-Brasil vê nesse resultado a influência também de fatores econômicos, especialmente a redução da área plantada.
— Seria ingenuidade e irresponsabilidade acharmos que somente a ação do governo provocou isso. Há muito do contexto econômico nessa queda — disse Mauro Armelin, coordenador de Políticas Florestais do WWF-Brasil.
Segundo nota do WWF, com a queda da rentabilidade do setor, a redução do desmatamento é, infelizmente, menos resultado das ações governamentais que da atual situação econômica”. Para o Greenpeace, a queda no índice de desmatamento da Amazônia deve ser um incentivo para que o governo aumente suas ações na região. Em nota, o Greenpeace avalia que a redução no desmatamento se deve à maior presença do Estado na região amazônica, especialmente a partir do assassinato da missionária Dorothy Stang, em fevereiro passado.

O Globo, 27/08/2005, p. 12

As notícias aqui publicadas são pesquisadas diariamente em diferentes fontes e transcritas tal qual apresentadas em seu canal de origem. O Instituto Socioambiental não se responsabiliza pelas opiniões ou erros publicados nestes textos. Caso você encontre alguma inconsistência nas notícias, por favor, entre em contato diretamente com a fonte.