OESP, Economia, p. B10
24 de Abr de 2014
Governo descarta mais etanol na gasolina
Para ministro da Fazenda, Guido Mantega, aumento da produção de etanol deve reduzir preço de combustíveis nos próximos dois meses
José Roberto Gomes
Adriana Fernandes
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negou ontem que o governo vá aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina, dos atuais 25% para 27,5%, para ajudar no combate à inflação. O ministro também previu uma redução dos preços de combustíveis nos próximos dois meses, quando entrará no mercado a produção de etanol.
"Sempre é possível, mas neste momento não estamos cogitando. Hoje a mistura é de 25% e nós agora estamos num período em que o etanol aumenta sua produção. Estamos começando a safra (de cana-de-açúcar) e quando entrar essa safra vai reduzir o preço do etanol e também dos combustíveis" afirmou o ministro.
Fontes do setor sucroalcooleiro também acreditam que o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina não deve sair mais este ano. A avaliação é de que, além da resistência do governo em adotar a ideia ou de sinalizar para essa possibilidade em um futuro próximo, as usinas terão pouco tempo para se planejar, considerando que a safra começou neste mês.
Segundo elas, uma decisão tomada agora deveria valer a partir de 2015, dando tempo para que a nova demanda fosse considerada no momento do plantio e na estratégia de produção ao longo de todo o ciclo de processamento. A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), no entanto, diz que o setor está preparado para atender ao aumento da mistura já nesta safra.
Para as fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, se o governo tomasse uma decisão, o ideal seria que isso acontecesse até julho, já que no segundo semestre a moagem de cana, e consequentemente a produção de etanol, começa a perder força. No ano passado, em maio, houve um ajuste, de 20% para 25%, no porcentual de mistura na gasolina. Mas a decisão havia sido tomada em dezembro de 2012.
As fontes também consideram que o setor errou na abordagem do assunto. Teria sido um equívoco apresentar o projeto de aumento da mistura ao governo sem alinhavar antes acordos com as montadoras, do ponto de vista técnico, e com lideranças políticas do ABC Paulista, base eleitoral e sindical do PT, e principal polo das fabricantes de automóveis.
A proposta de elevar a mistura de anidro na gasolina foi levada ao governo pelo setor sucroalcooleiro em janeiro. O governo passou a considerar a alteração, pois representaria menos importação de gasolina e um alívio ao caixa da Petrobrás.
No final de janeiro, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, já havia afirmado ao Broadcast que a entidade iria se posicionar contra o aumento da mistura, alegando que mais álcool acarretaria em perda de eficiência dos motores de veículos movidos apenas a gasolina, que representam 38% da frota circulante no País. O fato é que a Anfavea e o setor sucroalcooleiro estão em lados opostos quando o assunto é aumento de anidro na gasolina.
OESP, 24/04/2014, Economia, p. B10
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