O Globo, O País, p. 13
07 de Jan de 2012
Governo dá sinal verde para ajudar haitianos
Auxílio federal inclui moradia, comida e transporte; serão compradas passagens diárias para retirar imigrantes de Brasileia
Cleide Carvalho
cleide.carvalho@sp.oglobo.com.br
Enviada especial
O governo do Acre vai providenciar a compra de 40 passagens rodoviárias por dia para que os cerca de 1.300 haitianos que estão em Brasileia comecem a deixar a cidade a partir da semana que vem. Segundo o secretário de Justiça e Direitos Humanos do Acre, Nilson Mourão, a decisão foi tomada depois que o governo federal deu "sinal verde" na ajuda ao estado. Na próxima semana, uma equipe da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Social visitará Brasileia para avaliar a situação na cidade. - A ajuda federal inclui três pontos, que são o aluguel de pousadas, a alimentação e o transporte rodoviário até Rio Branco. Depois dali, cada um segue o seu caminho. A maioria vai para algum lugar onde já está um amigo ou parente. Com o sinal verde, o governador Tião Viana determinou a liberação das passagens na semana que vem - afirmou o secretário. Segundo ele, o governo federal deverá ainda liberar recursos para gastos administrativos, como deslocamentos de equipes e combustível. O valor dos recursos que serão repassados ainda não foi calculado. Os haitianos deverão ser levados até a capital Rio Branco pela manhã, para tirar carteira de trabalho. O documento sai no mesmo dia. Lá, eles receberão um almoço e, em seguida, uma passagem para Porto Velho, em Rondônia. O Ministério da Saúde, que também entrou em contato com o governo do estado, garantiu o fornecimento de vacinas e exames para os haitianos. Mais de 2 mil exames de sangue foram realizados e, segundo Mourão, há casos de portadores do vírus HIV e de hepatite. Todos os que continuam no Acre após o resultado dos exames serão notificados e deverão procurar tratamento nos estados de destino. O secretário não informou o número de resultados positivos: - Alguns viajam antes de sair o resultado dos exames. Mourão também disse esperar que o contato com empresas interessadas em contratar os imigrantes haitianos seja acelerado. Uma grande empresa procurou o governo do Acre na noite da última quinta-feira e manifestou a intenção de contratar entre 200 e 250 haitianos. Na segunda-feira, deve chegar à cidade um representante da Popó Construção, de Minas Gerais, que deseja contratar trabalhadores para uma obra em Cuiabá.
Em SP, salto de imigrantes do Haiti
Em 2010, ano do terremoto, eram 40, e hoje já são cerca de 800
Marcelle Ribeiro
marcelle@sp.oglobo.com.br
Em 2010, ano do terremoto, eram 40, e hoje já são cerca de 800 SÃO PAULO. Há seis meses no Brasil, o haitiano Christal Joseph, 25 anos, quer juntar dinheiro para voltar ao seu país, mas sonha em antes viajar pelo Brasil a passeio. Diz ainda que não está muito feliz na capital paulista, pois não recebeu os salários dos dois últimos meses em que trabalhou como ajudante de carpinteiro na construção de um prédio. - O Brasil está melhor que outros países, e muita gente fala que São Paulo é o melhor do Brasil. Agora não sei se posso dizer se o Brasil é bom, porque trabalhei e não recebi - conta ele ao GLOBO. Joseph é um dos muitos haitianos que, segundo o Consulado do Haiti em São Paulo, chegam ao estado buscando emprego, principalmente na construção civil. De acordo com o cônsul do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, antes do terremoto do Haiti, ocorrido em janeiro de 2010, havia cerca de 30 a 40 haitianos morando no estado. Hoje, são de 600 a 800. - São pessoas que querem trabalhar, juntar dinheiro para mandar para a família. A maioria tem nível de escolaridade mais baixo - afirma o cônsul. Foi pela Bolívia que Joseph entrou no Brasil. Mas não saiu do Haiti: veio da República Dominicana. Segundo ele, no seu país, sua família está trabalhando - o pai é lavrador e a mãe, vendedora -, mas ainda não conseguiu reformar a casa afetada pelo terremoto.
O Globo, 07/01/2012, O País, p. 13
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