OESP, Economia, p. B4
03 de Fev de 2007
Governo dá pistas de que retomará Angra 3
Ministra francesa sai animada de reunião em que tratou do assunto com autoridades brasileiras
Denise Chrispim Marin
A ministra de Comércio Exterior da França, Christine Lagarde, obteve ontem um sinal favorável do governo brasileiro à retomada do projeto Angra 3, de geração de energia nuclear. A França pleiteia que a companhia Areva, de capital francês, conduza a possível construção da usina, que demandará investimentos de R$ 7,2 bilhões. Lagarde tratou do tema com a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, que coordenou a elaboração do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é a principal responsável pela implementação do plano.
A usina de Angra 3 foi indiretamente incluída no capítulo do PAC que trata da elevação da geração de energia elétrica no País. 'Nossas perspectivas de parceria irão muito além de Angra 3', resumiu Lagarde, ao lado do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que atua com Roussseff na implementação do PAC. 'Concluímos que é conveniente realizar estudos de curto, médio e longo prazos nessa área. Tudo foi muito positivo', completou a ministra, que visitará hoje as usinas de Angra 1 e Angra 2 (RJ) e receberá informações mais profundas sobre o projeto de Angra 3.
Mais cauteloso, Paulo Bernardo afirmou que o governo decidirá sobre a retomada ou não do projeto de Angra 3, paralisado há 20 anos, somente depois da conclusão de estudos técnicos. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) esquivou-se de incluir a discussão sobre Angra 3 nas suas últimas reuniões, dado o caráter polêmico da questão.
Paulo Bernardo, entretanto, confirmou que a previsão de geração de energia em Angra 3 - 1.350 Megawatts - foi contabilizada no PAC. A usina é mencionada num texto anexo ao programa, que não chegou a ser distribuído à imprensa.
O lobby francês em favor da recuperação desse projeto pelo governo brasileiro e, especialmente, da execução das obras pela Areva tornou-se mais forte desde o ano passado, quando o presidente da França, Jacques Chirac, visitou o Brasil.
No seu encontro com Dilma, Lagarde levou a presidente da empresa francesa, Anne Lauvergeon, que a acompanhará hoje nas visitas às usinas de Angra. Atualmente, 85% da energia elétrica da França é gerada em usinas nucleares. As principais delas foram construídas ou ampliadas pela Areva.
França abrirá agência no Brasil
A ministra de Comércio Exterior da França, Christine Lagarde, anunciou a abertura, no Brasil, de uma unidade da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) até o fim deste semestre.
O foco da agência estará no financiamento e na concessão de garantias para as obras de infra-estrutura e de energia renovável previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e para projetos no setor bancário. Ela também será orientada para projetos relativos a temas como biodiversidade, mudanças climáticas no mundo e luta contra doenças emergentes e transmissíveis.
A rigor, a AFD atua como braço de cooperação e de financiamento da França às economias menos desenvolvidas do mundo. No ano passado, a AFD movimentou 2,7 bilhões. Técnicos da AFD informaram que, no Brasil, suas linhas serão mais flexíveis do que as de instituições como o Banco Mundial.
OESP, 03/02/2007, Economia, p. B4
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