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Governo cria metas contra desmatamento

CB, Brasil, p. 10
02 de Dez de 2008

Governo cria metas contra desmatamento
Medida faz parte de plano para conter emissões de gases poluentes. Objetivo é que em 2017 devastação fique abaixo de 6 mil km²

Leonel Rocha
Da equipe do Correio

O governo lançou ontem o Plano Nacional sobre Mudança do Clima com metas ambiciosas de redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa para os próximos anos, principalmente carbono. O principal objetivo é a contenção de 40% nas queimadas da Amazônia no próximo ano em comparação com a média da área derrubada entre 1996 e 2005. Isso significa que o governo se comprometeu a manter em 13 mil quilômetros quadrados o limite admissível para o desflorestamento ilegal em 2009, o mesmo nível deste ano. É a partir de 2010 que o plano deverá promover uma redução de fato, fixando a meta abaixo dos 10 mil quilômetros quadrados. Até 2017, o objetivo é reduzir o desmatamento em pouco mais de 70% (cerca de 6 mil quilômetros quadrados por ano).

Além de monitorar a Amazônia, o governo pretende incentivar uma série de medidas econômicas para "limpar" a matriz energética brasileira, substituindo aos poucos os combustíveis fósseis por renováveis, como o biodiesel e o etanol. O plano, no entanto, não traz compromissos para a contenção de queimadas no cerrado, por exemplo, um dos biomas mais sensíveis e onde se concentra o plantio de grãos pelos agricultores brasileiros. O documento, lançado ontem pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, no Palácio do Planalto, será levado ao encontro que ocorre na Polônia para discutir um novo tratado mundial para a redução das emissões de gases do efeito estufa e a contenção do aquecimento global.

Segundo Minc, a definição das metas para a contenção da poluição só foi possível porque houve uma mudança na relação política entre sua pasta, a área econômica e a Casa Civil. Ele também ressaltou a pressão de organizações não-governamentais ambientalistas e o convencimento de setores produtivos. O primeiro plano sobre mudança do clima elaborado em setembro pelo ministério não tinha metas. "Nós tínhamos objetivos sem metas, e por isso não podíamos cobrar dos empresários a redução do desmatamento e a mudança tecnológica na produção industrial", comentou o ministro.

Timidez
A solenidade de lançamento do documento contou com a participação do presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Mário Raupp. O presidente da ONG Amigos da Terra, Roberto Smeraldi, participou da elaboração do plano, mas criticou a timidez das metas. "Ainda estamos longe de ter um plano que atenda a gravidade do problema com as emissões. Cumprir as metas deve ser uma tarefa nacional", alertou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também estava presente à cerimônia, pediu o envolvimento de governadores e prefeitos no plano de mudança climática. Lula chegou a oferecer ajuda e cobrar punição para os municípios que mantiverem os índices de queimadas, de poluição e de baixa reciclagem de resíduos sólidos.

Principais objetivos
Redução de 40% em 2009 da taxa de desmatamento na Amazônia em comparação com a média de derrubadas registradas entre 1995 e 2005

Aumento da utilização de carvão vegetal na siderurgia

Incentivo à utilização de energia solar e térmica

Aumento para 20% do nível de reciclagem de resíduos sólidos.

Eliminação gradual do uso do fogo na colheita da cana-de-açúcar

Aumento de 11% ao ano da utilização do etanol em substituição a outros combustíveis e antecipação para 2010 da obrigatoriedade de adição do etanol ao diesel

Ordenamento fundiário da Amazônia, dobrando a área de floresta plantada para 11 milhões de hectares em 2020
Recuperação de parte dos 100 milhões de hectares de pastos degradados na Amazônia.

CB, 02/12/2008, Brasil, p. 10

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