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Governo cria grupo para tentar solucionar impasse entre índios e fazendeiros em MS

O Globo, País, p. 3
07 de jun de 2013

Governo cria grupo para tentar solucionar impasse entre índios e fazendeiros em MS
Manifestantes não conseguiram encontro com Dilma; clima tranquilo após suspensão de desocupação

JAILTON DE CARVALHO, MARIA LIMA E
SÉRGIO ROXO*
opais@oglobo.com.br

Depois de mais de quatro horas de reunião com um grupo de terenas ontem, em Brasília, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou a criação de fórum para discutir uma saída para o impasse criado a partir da ocupação da fazenda Buriti, em Sidrolândia (MS). Já a Força Nacional de Segurança, após negociação com indígenas e fazendeiros, informou que ficará por 180 dias na região, operando com barreiras e revistas para evitar novas invasões.

O fórum do Ministério da Justiça deverá ser instituído em até 15 dias e terá a participação de representantes do Ministério Público, do Conselho Nacional de Justiça, do governo de Mato Grosso do Sul e de representantes dos índios.

O ministério poderá propor a desapropriação de terras para facilitar a criação de reservas. Caso o conflito seja resolvido de forma satisfatória, a solução servirá de modelo e deverá ser aplicada em outras áreas.

- Estou otimista. Ninguém resolveu os problemas, mas, desde minha visita à região, a tensão está diminuindo. É necessário desarmar os espíritos - afirmou Cardozo.

O cacique Antônio Aparecido Terena, um dos líderes do grupo, comemorou a decisão.

- Foi um ponto positivo, mais uma vez vamos acreditar na justiça - disse o cacique.

Antes da reunião com Cardozo, cerca de 50 índios de várias etnias da região do Tapajós, incluindo velhos e crianças, tentaram, sem sucesso, ser recebidos ontem pela presidente Dilma Rousseff. Eles chegaram cedo na Praça dos Três Poderes e, por volta das 14h30, atravessaram a rua e se sentaram próximo da guarita e da rampa do Planalto. Ficaram encurralados por um forte aparato de segurança.

- A gente queria falar com a presidente, porque ela já teve três encontros com os homens do agronegócio e nenhum com as lideranças indígenas. A presidente Dilma nunca recebeu um índio aqui - protestou Valdenir Munduruku, liderança da aldeia Teles Pires, de Jacareacanga (PA).

A Secretaria Geral da Presidência alegou que os índios não foram recebidos por Dilma porque não houve nenhum pedido formal para que o encontro fosse agendado, e já tinham sido recebidos por Gilberto Carvalho.

Em Sidrolândia, serão montados cinco pontos de bloqueio nas estradas que cruzam as fazendas da região. A ação não visa a saída dos índios terena das áreas ocupadas, mas deve inibir novas invasões.

Ontem à tarde, foi realizada uma reunião na prefeitura da cidade com líderes indígenas, representantes da Funai e do Ministério Público Federal para que fosse explicado como será a atuação da Força Nacional. Houve tensão quando membros da Polícia Federal chegaram à reunião. No dia 30, o índio Oziel Gabriel foi morto quando policiais federais e militares cumpriram um mandado de desocupação da fazenda Buriti.

- Vamos dar um voto de confiança. Queremos trabalhar juntos - disse Adão Terra, um dos líderes dos terena.

Ontem, com a revogação da ordem judicial de desocupação da Buriti, o clima era tranquilo. O procurador Emerson Kalif Siqueira, do MPF, percorreu ontem as áreas invadidas e as aldeias para colher depoimentos de índios que testemunharam a desocupação da Buriti, que resultou na morte de Oziel Gabriel.

O Globo, 07/06/2013, País, p. 3

http://oglobo.globo.com/pais/cardozo-anuncia-forum-para-negociar-fim-de…

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