O Globo, O País, p. 13
23 de Mar de 2011
Governo contesta déficit de água
Agência Nacional alertou que pode haver desabastecimento em 55% das cidades
BRASÍLIA. Os ministérios do Planejamento e Cidades contestaram ontem levantamento divulgado pela Agência Nacional de Águas (ANA), que revela que 55% das cidades brasileiras poderão ter déficit de abastecimento de água se não forem feitos investimentos nos próximos quatro anos. Em nota, os dois ministérios rebateram informações contidas no estudo. Segundo a ANA, que classifica o sistema de abastecimento de água do Pará como "bastante precário", mais da metade dos municípios do estado não são cobertos pelo sistema.
Os ministérios dizem que é "um equívoco" dizer que menos da metade das cidades do país têm água encanada e afirmam que mais da metade da população da Região Norte são cobertas pelo sistema de água encanada. Levando em conta soluções caseiras, dizem, 81% da população da região têm água encanada, percentual que, no Pará, chega a 74% das cidades.
"É um equívoco dizer que menos da metade das cidades têm água encanada. Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do total de municípios (5.564), 99% (5.531) têm serviço de abastecimento de água por rede geral de distribuição", diz a nota.
ANA afirma que 84% dos 5.565 municípios precisam de investimentos para a adequação de seus sistemas de abastecimento de água, e que 55% necessitam de obras prioritárias que somam R$22,2 bilhões.
Sobre isso, os ministérios citam investimentos: "No PAC 1, foram contratados R$982,1 milhões para implantação, ampliação e melhorias dos sistemas públicos na região. No PAC 2, estão previstos outros 56 milhões."
Falsa ideia
Ainda mais nestes tempos de mudanças climáticas, é preciso combater a ideia do Brasil como país dos recursos naturais inesgotáveis.
Encontram-se em território nacional 12% da água doce do mundo. Mas se trata de apenas parte da verdade - a menos importante. O sério, a ser levado em conta, é que grande parte desta reserva está onde é relativamente pouco habitado, no Norte.
Nos grandes e populosos centros urbanos brasileiros, a situação é a oposta.
O Globo, 23/03/2011, O País, p. 13
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