OESP, Economia, p. B8
17 de Mar de 2011
Governo busca substituto para Bertin
Eletrobrás e Eletronorte procuraram empresas como Arcelor, CSN, Vale e Votorantim para ocupar lugar do investidor em Belo Monte
Karla Mendes / Brasília
O governo procurou pelo menos dez empresas para ocupar o lugar da Gaia, braço de energia do Grupo Bertin, que deixou o consórcio que construirá a Usina de Belo Monte, no Rio Xingu (PA).
Segundo revelou uma fonte ao Estado, a Eletrobrás e a Eletronorte fizeram reuniões com cada uma das seguintes empresas: Alcoa, Arcelor Mital, Camargo Corrêa Cimentos, CSN, Gerdau, Votorantim Energia, Vale, Thyssen Krupp CSA Siderúrgica do Atlântico e MPX. Nesses encontros, que ocorreram separadamente, as estatais apresentaram as condições para que essas empresas entrassem como investidores no consórcio.
As reuniões foram conduzidas por Adhemar Palocci, diretor de Planejamento e Engenharia da Eletronorte, e por Valter Cardeal, diretor de Engenharia da Eletrobras, que estão "capitaneando" as empresas, por determinação do governo. O critério de escolha do novo sócio da usina será o maior preço.
Na semana passada, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que o governo não estava tendo dificuldade para encontrar um novo sócio para Belo Monte, que havia "muitas alternativas" e o assunto seria resolvido "dentro de pouco tempo".
Na ocasião, Lobão afirmou que Vale, Alcoa, EBX ou até mesmo construtoras, como a Odebrecht e a Camargo Corrêa, que não participam da Norte Energia, mas integram o consórcio de dez construtoras responsável pelas obras da usina, poderiam assumir a participação da Gaia Energia na sociedade que vai administrar a usina.
Alívio. Foi um "alívio", tanto para o mercado quanto para o governo, a saída do Grupo Bertin do consórcio que erguerá a usina, revelaram fontes ao Estado. Isso porque, segundo essas fontes, nem o mercado nem o governo "acreditaram" que o Bertin poderia exercer, de fato, o papel de autoprodutor de energia em uma usina desse porte. Tanto que a energia que ficaria a cargo da Bertin não foi contabilizada nas projeções do mercado até 2020, feita pela Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape).
Com as novas configurações do consórcio, uma fonte do mercado observa que quem construirá a usina, de fato, será um consórcio com uma composição muito parecida com aquele que perdeu o leilão. Isso porque, segundo a fonte, a Andrade Gutierrez, que integrava o consórcio que perdeu a disputa, vai comprar participação das pequenas construtoras, e terá de 6% a 9% do consórcio. A Vale, que também participou do consórcio perdedor, também está sendo assediada para assumir o projeto.
O leilão da Usina de Belo Monte foi disputado por dois consórcios: o Norte Energia e o Belo Monte Energia. Na ocasião, o Norte Energia era formado pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), subsidiária da Eletrobrás, Construtora Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e outras seis empresas.
O Belo Monte Energia tinha a construtora Andrade Gutierrez, a Vale, a Neoenergia, e duas subsidiárias da Eletrobrás - Furnas e Eletrosul. A Eletrobrás passou a integrar os consórcios posteriormente, pois o governo definiu que ela seria parceira estratégica do consórcio vencedor.
OESP, 17/03/2011, Economia, p. B8
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110317/not_imp693001,0.php
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