A Critica, Brasil, p.A9
11 de Jan de 2004
Governo amplia Calha Norte
Com mais de 70 municípios inseridos no projeto, a área sob domínio militar será de 2,5 milhões de quilômetros de extensão
0 governo decidiu ampliar a presença militar na Região Norte do País. 0 presidente Lula, atendendo a pedido do ministro da Defesa, José Viegas, aumentou a área de atuação do Programa "Calha Norte", criado em 1985 para ocupar a Amazônia em nome da soberania e da integridade nacional. 0 número de municípios atingidos pelo programa saltará de 74 para 151. A extensão da linha de fronteira incluída no Calha Norte aumenta de 7.400 quilômetros para cerca de 11 mil quilômetros. A área total do Calha Norte será de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, que representam 25,6% do território nacional.
Os militares argumentam que estudos permitem a ampliação da área e que estão atendendo a uma reivindicação dos políticos da região ao expandir o Calha Norte. 0 novo programa vai se estender até a Ilha de Marajó, no Pará, e às áreas de fronteira do Acre e de Rondônia. Mas a expansão do programa ainda poderá enfrentar dificuldades por falta de recursos.
0 orçamento da União deste ano destina R$ 67 milhões para o Calha Norte, mas apenas R$ 20 milhões estão na proposta original do Palácio do Planalto. Os R$ 47 milhões foram incluídos com emendas de parlamentares da Região Norte no Congresso Nacional. 0 Exército implantará novas unidades militares na região, como a criação de novos pelotões de fronteira e pistas de pouso. As Forças Armadas vigiarão o espaço aéreo e as linhas fluviais do interior.
0 gerente do Calha Norte, coronel Roberto de Paula Avelino, explicou que estão previstos convênios com as prefeituras para a construção de hospitais e escolas. Na mensagem enviada ao presidente Lula, o ministro Viegas argumentou que o programa fortalece a cidadania dos brasileiros desassistidos e contribui para o desenvolvimento econômico da região com obras sociais e de infra-estrutura básica. 0 novo Calha Norte reforçará a segurança na fronteira com a Bolívia e o Peru. "A expansão do programa é positiva porque permitirá, na parte militar, fechar a fronteira da Amazônia e trará grandes benefícios sociais para os moradores da região", disse o coronel Avelino.
A Crítica, 11/01/2004, p. A9
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