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Governança e sutentabilidade

GM, Opinião, p. A3
Autor: SILVA, Claudio Luiz de Souza
15 de Ago de 2005

Governança e sutentabilidade
É necessário equilíbrio no uso dos recursos naturais disponíveis.

Cláudio Luiz de Souza Silva

Mares revoltos exigem cuidados. O momento atual do planeta, em diferentes dimensões, é de turbulências e requer precisão e sintonia fina ajustada. Seja na economia, no comércio internacional, nas relações diplomáticas, no meio ambiente ou na política internacional, o mundo passa por um momento de ebulição. Discutir governabilidade e governança é mais do que pertinente. É necessário. Carecemos hoje de um modelo de governança que dê conta das diferentes situações que afligem a humanidade. Diferentes e graves problemas tomam conta da agenda de governantes, empresários, organizações da sociedade civil, imprensa e acadêmicos. Os governos locais (municípios, distritos, estados), de países, os blocos econômicos, as agências de fomento e os órgãos supranacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) buscam novas ordenações para fazer frente a este momento. Vivemos em uma época de contrastes e de mudanças rápidas. O sucesso na consecução de velhos objetivos exigirá pensamento renovado, estratégias refinadas e novos mecanismos de cooperação. Nesse contexto, o que nos interessa aqui é um recorte com foco nas questões ambientais e de sustentabilidade. A interdependência ecológica, resultado de mercados e economias mundialmente interligadas, exige sincronismo de políticas nacionais e um mecanismo global de meio ambiente. Sem isso, estaremos caminhando para uma deterioração acelerada e planetária de nosso patrimônio ambiental. As causas da degradação ambiental são conhecidas e foram muito discutidas: na Fundação do Clube de Roma, ocorrida em 68; na 1 Conferência Mundial sobre Meio Ambiente, realizada em 72; durante a preparação do relatório "Nosso Futuro Comum" (87), na Eco-92, no Rio, em Kyoto (97) e em Johannesburgo (2002). Destacam-se o crescimento e a distribuição da população pelo planeta, a pobreza e o subdesenvolvimento, a matriz energética e os padrões de consumo. Todos eles com grandes implicações no equilíbrio do uso de recursos naturais, em particular a água. Melhorar a governança planetária é via de mão única na busca de soluções para esses problemas. A preocupação com a "capacidade de governar" não se restringe às ações e instrumentos existentes no âmbito do Estado. Ao contrário, a visão de governança destaca as possibilidades de articulação e parceria com a sociedade civil e com setores lucrativos, bem como os novos papéis de organizações não-governamentais e fóruns empresariais na definição de agendas. Nesse sentido, além do contexto de reforma do aparelho de Estado, governança se apresenta em um momento de inclusão de novos atores, com o fortalecimento do terceiro setor e a ampliação da responsabilidade social corporativa. Para atender à necessidade de ampliar os espaços de discussão acerca de governança e sustentabilidade, o Centro Universitário Senac (Campus Santo Amaro) realizará a "Conferência Internacional Governança e Sustentabilidade 2005 - A Questão da gua", que ocorrerá no Centro de Convenções do Campus Senac, em São Paulo, entre os dias 29 e 31 próximos. Os temas para discussão incluem o marco político-institucional da ação dos estados, envolvendo as bases territoriais e temporais da questão ambiental; a dimensão financeira; os novos instrumentos e mecanismos de gestão para tornar o processo decisório mais efetivo e eficiente; a assimetria dos atores envolvidos e a necessidade de maior articulação; a discussão de agendas propositivas sobre os papéis e ações dos atores envolvidos: governos, sociedade organizada, empresas, mídia e academia.
kicker: Carecemos hojede um modelo de governança que dê conta das diferentes situações que afligem a humanidade
Cláudio Luiz de Souza Silva - Gerente de desenvolvimento do Senac São Paulo.

GM, 15/08/2005, Opinião, p. A3

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