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Governadores querem fundo privado para proteger a floresta

Época - http://epoca.globo.com
Autor: Thais Herrero
18 de jun de 2015

Força Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas reuniu representantes de estados para enfrentar o desmatamento

Se você perguntar como está a economia em um município que passou a combater os desmatamentos, é possível que ouça como resposta: "vai devagar". Isso porque, ao eliminar as derrubadas ilegais, também são excluídas as atividades econômicas relacionadas. Isso vai desde a venda de carvão e madeira até o comércio de motosserras, o posto de combustível e a oficina mecânica. Toda uma economia local gira em torno da degradação da natureza. Ao combater o desmatamento, portanto, é preciso também investir na substituição de economia local por uma mais sustentável.

Essa é a síntese de uma das propostas que governadores de estados de vários países do mundo discutiram durante essa semana, em Barcelona. O encontro que acabou na quinta-feira (18) reuniu 26 membros da Força Tarefa dos Governadores para o Clima e Florestas (GCF, do nome em inglês), que inclui políticos da Indonésia, Peru, México, Nigéria, Espanha e Estados Unidos e Brasil. Juntos, eles detêm mais de 25% das áreas de florestas do planeta. Os governadores brasileiros presentes são todos da região Amazônica.

Simão Jatene (PSDB), governador do Pará, fez uma apresentação e apontou a necessidade dos governos irem além das medidas de comando e controle, que punem e multam desmatamentos, mas não são tão efetivas no longo prazo. "Com comando e controle você combate uma economia que obviamente é agressiva ao ambiente, mas não deixa nada no lugar para suprir as necessidades financeiras da população que vivia daquela atividade", diz em entrevista ao blog ÉPOCA AMAZÔNIA. Essas iniciativas de comando e controle, na visão dos governadores presentes, não conseguem manter e aprofundar os ganhos com a redução do desmatamento. Prova disso seriam os índices de redução de desmatamento que estão estagnando.

Outro ponto de discussão no evento foi o mecanismo de Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação florestal (REDD). Segundo Justiniano Netto, coordenador do Programa Municípios Verdes, do Pará, que esteve no encontro, foi quase um consenso que o REDD não avançou como se imaginava há alguns anos. O mecanismo consiste em pagar para as pessoas que mantêm a floresta em pé, como um prêmio pela conservação. "É um mercado que não movimenta tanto dinheiro quanto o necessário para mudar a situação socioeconômica de uma região. Precisamos investir nos negócios que envolvam cadeias produtivas e empregos, como uma agricultura e pecuária mais sustentáveis, que não pressionem a floresta", disse.

Durante o encontro, defendeu-se como medida para ir além do REDD os fundos de investimento. Os governadores, por serem representantes mais próximos da sociedade do que o poder federal, podem facilitar o diálogo entre esses fundos e empresas do setor privado. Netto afirma que o ideal é que os fundos direcionem o dinheiro apenas a negócios sustentáveis e comprometidos com a economia de baixo carbono.

Sem esses fundos, diz Netto, muitas empresas não se sentem atraídas para fazer negócios ou produzir na região amazônica porque consideram o custo muito alto e o retorno baixo comparado com outras regiões, como o Sudeste. Além da insegurança fundiária. O ideal, então, seriam fundos que invistam para que os negócios ganhem fôlego e se mantenham até não precisar mais dos aporte externos. "Precisamos desse capital de risco e mais aventureiro, mas que tenha como filtro as noções de sustentabilidade e com esse recorte regional da Amazônia", afirmou.

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