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Gisele quer salvar água do Xingu

OESP, Capa, Caderno 2, pg. A1, D1-D2
Autor: PACCE, Lilian
25 de mai de 2006

Gisele quer salvar água do Xingu
Top brasileira empresta sua imagem pela defesa da bacia amazônica

Lilian Pacce

Dois anos depois de sua primeira viagem à Amazônia, onde esteve de férias com o então namorado, o ator Leonardo DiCaprio, a gaúcha Gisele Bündchen voltou na semana passada à região e vestiu a camiseta da campanha Y Ikatu Xingu - Salve a Água Boa do Xingu. A top brasileira quer avisar ao mundo que as águas da bacia amazônica correm perigo. Como Gisele não é de emprestar sua beleza, seu nome e seu poder a qualquer causa, conclui-se que o caso é sério, como demonstram os mapas comparativos nesta página.

A campanha, realizada pelo Instituto Socioambiental (ISA), visa à recuperação e proteção das nascentes e das matas ciliares do Xingu, rio emblemático da biodiversidade brasileira. "Para recuperar o que já foi desmatado, seria necessário replantar, no mínimo, 300 mil hectares, o equivalente a 2.400 Parques do Ibirapuera", diz Carlos Alberto Ricardo, diretor do ISA.

Hoje vivem 14 povos indígenas diferentes dentro do Parque Nacional do Xingu. A campanha alerta para a degradação de todas as áreas onde nascem os rios que contribuem para fazer do Rio Xingu um dos maiores do País, com cerca de 2.700 km de extensão. As nascentes se distribuem em 35 municípios do Mato Grosso, todos fora do perímetro do parque, este sim preservado pelos índios, mas cercado pela destruição de matas e pela poluição das águas por todos os lados.

Esta é a primeira vez que Gisele abraça uma causa ambientalista e deve falar sobre o assunto durante o próximo Fashion Rio, onde desfila para a marca Colcci no dia 9. Amante da natureza, seu interesse real sobre os problemas com o meio ambiente surgiu depois de sua primeira visita ao Alto Xingu, na região da aldeia Yawalapiti. Agora Gisele esteve no Médio Xingu, na região dos índios Kisêdjê, de cerca de 300 habitantes, para conhecer melhor a situação da água no local (informações também no site yikatuxingu.org.br). Na volta, embarcou direto para Nova York, de onde concedeu a seguinte entrevista exclusiva ao Estado.

Como foi a sua primeira viagem ao Xingu?

Estive lá dois anos atrás e pude perceber a situação difícil que os índios vêm enfrentando por causa da poluição e da destruição dos arredores dos rios.

O que te levou a ir para lá?

Gosto muito da natureza e sempre tive curiosidade sobre o modo de vida dos índios e a relação deles com o meio ambiente.

Como foi sua estadia?

Foi mágica! É muito bom sentir a energia daquele povo. Dancei, comi, bebi e ajudei no preparo da comida dos índios. Foi uma experiência inesquecível! Conheci um pouco dos rituais e da cultura indígena e também dos problemas que eles enfrentam. Acho que a criação da reserva Parque do Xingu foi uma iniciativa brilhante tanto para a preservação dos povos indígenas que moram lá quanto para a proteção das florestas que, infelizmente, estão sendo destruídas em toda a região. O grande problema agora é a água, pois o rio é a fonte de vida para as pessoas, é de onde elas tiram sua bebida, sua comida, sua sobrevivência. Com o desmatamento nas cabeceiras, que dobrou nos últimos anos, e com muitas nascentes secando, o problema se acentuou. Essa questão tem afetado diretamente a vida dos povos indígenas e de mais de 250 mil habitantes da região e, indiretamente, afeta todos os habitantes do planeta. A água é fonte de vida e mais de 10% da água doce do mundo está no Brasil, mas estamos tratando essa riqueza como esgoto e isso é muito triste.

Por que você está apoiando a campanha Y Ikatu Xingu?

Acho que todo mundo tem de se preocupar com a questão das águas para que o planeta sobreviva e nossos descendentes possam ter um futuro decente... O mundo vem sofrendo reações muito fortes da natureza e isso é um sinal de que temos de tomar uma atitude. Já! Se a gente continuar só abusando dos recursos naturais, sem a preocupação de preservá-los, vamos acabar nos destruindo. Y Ikatu Xingu significa "água boa, água limpa" na língua kamayurá. A campanha é uma iniciativa do ISA e visa à proteção e recuperação das nascentes e matas ciliares ao redor do rio.

Em quais campanhas você já se envolveu, ambientalistas ou não?

Apóio há alguns anos instituições diferentes, mas poucas vezes me envolvi diretamente com uma campanha. Por motivos pessoais, participei da campanha do câncer de mama. Acho importante se envolver quando você realmente acredita na essência do projeto e acredito que a água é um bem importante para a humanidade.

Como vai ser sua participação?

Minha participação é na fase inicial, tentando chamar a atenção das pessoas para a importância deste assunto. Quero dar a minha contribuição para conscientizar a população. Vou fazer isso vestindo a camiseta e falando sobre o problema das águas. Há inúmeras questões do meio ambiente com as quais a gente deve se preocupar, mas acredito que a questão das águas é fundamental. É inestimável a importância da Amazônia. Temos de nos conscientizar sobre o valor desta floresta que tem a maior diversidade de fauna e flora do mundo, e começar a trabalhar seriamente para a sua preservação. Não podemos viver sem água, e é no Brasil, como eu já disse, que está a maior concentração de água doce do mundo, mais de 10% das reservas do Planeta. Temos de cuidar desse bem precioso!

OESP, 25/05/2006, Capa, Caderno 2, pg. A1, D1-D2

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