O Globo, Economia, p. 18
11 de Set de 2018
Gigantes globais tentam se livrar do plástico
Lego quer criar blocos com materiais biodegradáveis ou recicláveis. Pepsi, Danone e Nestlé terão embalagens com fibra de celulose
DO NEW YORK TIMES BILLUND (DINAMARCA) E PARIS
Mais sustentável. Árvore feita com peças de Lego no laboratório da empresa
N os últimos anos, consumidores em todo o mundo vêm expressando preocupação quanto ao impacto dos resíduos plásticos no meio ambiente, e cada vez mais empresas buscam usar materiais recicláveis, ou que sejam menos poluentes, em suas embalagens. A Coca-Cola planeja coletar e reciclar o equivalente a todas as garrafas e latas que usa até 2030. A Unilever pretende usar só embalagens plásticas recicláveis até 2025. Ontem, foi a vez de a Pepsi se unir a Danone e Nestlé para criarem garrafas plásticas do tipo PET 100% biodegradáveis. As três gigantes esperam produzir 18 mil toneladas PET "verde" a partir de 2020, em uma fábrica construída para esta finalidade no Canadá.
No ano passado, Danone e Nestlé já haviam feito um primeiro movimento nessa direção, juntando-se à empresa americana Origin Materials para criar garrafas PET com fibras de celulose (papelão usado, serragem e outros materiais).
A fabricante de brinquedos Lego, no entanto, enfrenta um problema mais complexo do que essas empresas -para ela o plástico não é somente a embalagem, e sim seu produto final.
Mesmo assim, a empresa também quer se tornar independente do plástico e, em seu laboratório de pesquisas na cidade dinamarquesa de Billund, planeja encontrar uma maneira de produzir os seus brinquedos inteiramente com materiais biodegradáveis ou recicláveis até 2030.
O desafio é remodelar os blocos de forma que ainda seja possível montar e desmontá-los facilmente, sem perder as cores vivas e a resistência. Ou seja, a empresa quer mudar os ingredientes, mas sem modificar a sua ideia original.
-Nós temos que reaprender a fazer isso -disse Henrik Ostergaard Nielsen, supervisor da produção na fábrica da Lego em Billund.
A Lego -cujo nome é uma contração das palavras dinamarquesas que significam "brincar bem" -foi fundada no início dos anos 1930, quando um carpinteiro chamado Ole Kirk Kristiansen começou a fabricar e vender carros de bombeiros e outros brinquedos feitos de madeira.
INVESTIMENTO MILIONÁRIO
Na década de 1950, Kristiansen começou a fazer os tijolos de plástico. Segundo a Lego, os blocos feitos em 1958 ainda são compatíveis com os fabricados hoje.
A produção de brinquedos da empresa é responsável pela emissão de cerca de 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono por ano. Até 2025, a Lego pretende eliminar sacos plásticos dentro de suas embalagens de papelão. A matéria-prima dos blocos seria trocada até 2030.
Atualmente, a Lego usa principalmente um tipo de plástico conhecido como ABS, comum também na fabricação de teclados de computadores e capas para telefones celulares. É resistente e um pouco elástico, além de ter uma superfície polida.
A empresa está investindo cerca de 1 bilhão de coroas dinamarquesas (aproximadamente US$ 155 milhões) e contratando uma centena de pessoas para buscar uma nova matéria-prima. Técnicos testam metodicamente materiais promissores para ver se é possível usá-los em tijolos de Lego capazes de suportar impactos, altas temperaturas (como no verão da Arábia Saudita) e ainda manter suas cores brilhantes - uma de suas características marcantes. (Com agências internacionais)
O Globo, 11/09/2018, Economia, p. 18
https://oglobo.globo.com/economia/lego-busca-alternativas-ao-plastico-a…
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