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Gestão de resíduos em xeque no Brasil

O Globo, Ciência, p. 36
21 de Nov de 2013

Gestão de resíduos em xeque no Brasil
País produz 3,3% a mais de lixo a cada ano e capacidade de coleta não cresce

Maria Clara Serra

A geração de resíduos no Brasil aumenta a uma taxa média de 3,3% ao ano desde 2008 e, levando em conta as curvas de crescimento populacional no país, esta razão continuará assim até 2018. O dado é de uma pesquisa da empresa britânica AcuComm, que atesta ainda a falta de capacidade de coleta e destinação final para esse lixo.
De acordo com o estudo, o Brasil gerou 62,7 milhões de toneladas de lixo em 2012, o equivalente a 1.228 toneladas por dia, por milhão de habitantes. Como cerca de 10% dele sequer é recolhido, o que corresponde a aproximadamente oito milhões de toneladas abandonadas na rua, a empresa britânica alerta para um possível colapso no futuro.
- Para reduzir esse problema, o primeiro caminho seria gerar menos e, o segundo, coletar mais - afirma Jorge Artur de Oliveira, especialista em tratamento de resíduos sólidos e fundador da Ecooideia, cooperativa de serviços ambientais e tecnologias sociais. - Para o primeiro ponto é preciso inverter a lógica consumista que move a economia e, para o segundo, melhorar a qualidade de gestão dos municípios. Tudo isso passa pela educação em todos os níveis, o que indica que ainda temos um longo caminho pela frente.
Após a coleta, a dificuldade continua, já que apenas 58% do volume total vai parar em aterros sanitários. A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), estima que no ano passado três mil municípios despejaram cerca de 24 milhões de toneladas de resíduos em destinos considerados inadequados, o equivalente a 168 estádios do Maracanã lotados de lixo.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída pela Lei 12.305/10, prevê o fim dos lixões e do envio de recicláveis para os aterros sanitários até 2014, sob pena de multa. Mas o governo estima que apenas 27% dos municípios brasileiros têm aterros sanitários. Quando se tratam dos recicláveis, a situação é ainda mais preocupante: 14% têm sistema de coleta seletiva.

O Globo, 21/11/2013, Ciência, p. 36

http://oglobo.globo.com/ciencia/gestao-de-residuos-em-xeque-no-brasil-1…

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